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Professora, Jornalista, Relações Públicas e Mestre em Comunicação Social. Apaixonada pela comunicação e pelo imaginário humano e cultural.

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Friday, November 11, 2011

Material disponível para consulta pública



José de Alencar, autor de "Iracema", "A Senhora" e outros clássicos

Manuscritos e documentos inéditos do pai do romance brasileiro, o escritor cearense José de Alencar, serão digitalizados e colocados à disposição numa biblioteca virtual que terá como centro de referência a casa onde ele nasceu, em Fortaleza. O material ficará disponível para consulta pública nos computadores da biblioteca da Casa de José de Alencar a partir de maio de 2012.

O projeto, orçado em R$ 100 mil, será realizado pela Casa de José de Alencar em parceria com o Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará e o Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional. Entre os 29 documentos, destacam-se treze cadernos manuscritos com fragmentos de textos já publicados, como o livro autobiográfico Como e Por Que Sou Romancista e do ensaio filosófico e antropológico Antiguidade da América. Também serão digitalizados trechos do primeiro romance de Alencar, Os Contrabandistas, que, segundo o pesquisador Marcelo Peloggio, não chegou a ser concluído.

Boa parte desse material que será digitalizado foi transformada em livro por Peloggio, após três anos de pesquisa no acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio, onde os documentos encontram-se expostos. A obra traz textos de Alencar guardados há mais de 130 anos, que ainda não haviam sido publicados integralmente. O pesquisador identificou fragmentos e anotações em 11 cadernos do escritor cearense que compõem dois manuscritos sobre a origem da humanidade e sua extinção, Antiguidade da América e A Raça Primogênita.

“Explorando o Feminino" No Espaço Cultural do Hospital São Lucas





De 1º a 15 de novembro, a artista plástica Iveli Pessin Ferreira de Camargo apresenta a exposição “Explorando o feminino” no Espaço Cultural do Hospital São Lucas da PUCRS (HSL / PUCRS).

A mostra é composta por esculturas em terracota e pode ser visitada diariamente, das 7h às 22h, no segundo andar do HSL.

Wednesday, November 09, 2011

ILUSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA - CURSO TEÓRICO COM RENATO ALARCÃO

Ilustração Contemporânea - curso teórico com Renato Alarcão
fundo da imagem destaque
Este é um curso para quem busca aprimorar seus conhecimentos sobre esta poderosa ferramenta da comunição visual que é a ilustração.


O programa é composto de palestras que abordam a melhor fatia dos assuntos de interesse de quem quer trabalhar com ilustração profissional, seja como autor ou como diretor de arte.

Veremos um pouco da história desta arte, os processos criativos de trabalhos para jornais, revistas e literatura (inclusive infantil), dicas de auto-promoção para o freelancer. Os participantes receberão por e-mail uma extensa lista de links para pesquisa na internet, além de modelos de contratos e tabelas de preços.

Este é o curso que apresenta mais de perto os desafios da ilustração profissional e seu programa foi elaborado pelo ilustrador Renato Alarcão baseado em sua experiência ao longo dos últimos 15 anos trabalhando para revistas, jornais, editoras de livros e outros projetos.

Alarcão é designer gráfico com um mestrado em ilustração pela SVA, a School of Visual Arts, de Nova York. Estudou também no The Center for Book Arts (NY) , onde conheceu de perto as tradições do livro e também sobre suas interpretaçõescontemporâneas como objeto e suporte artístico.


Como ilustrador publica atualmente no Brasil nos jornais Folha de São Paulo, Le Monde Diplomatique e no jornal Valor Econômico, além de diversas revistas e livros infantis e juvenis (sendo o mais recente, Fábulas, de Paulo Coelho, pela Editora Benvirá). Publicou também pelas editoras Penguin, Candlewik, Farrar Strauss and Giroux, MacGraw Hill e no caderno de literatura do New York Times. Participou de exposições na AIGA - American Institute for the Graphic Arts, na American Society of Illustrators, na New York Public Library, na Bienal de ilustrações de Bratislava e na cidade de Tóquio ( (na competição NOMA para livros ilustrados, patrocinada pela UNESCO do Japão), além de todas as edições do Ilustra Brasil (www.ilustrabrasil.com.br).

Alarcão escreve uma coluna na revista online Ilustrar. Baixe a revista gratuitamente emwww.revistailustrar.com. Para informar-se sobre os trabalhos e projetos mais recentes do ilustrador Renato Alarcão, siga o blog Alarcrônicas em www.renatoalarcao.com.br/blog, o twitter @alarcao ou a página do Diário Gráfico no Facebook.



Data: Dia 19 de novembro (sábado), das 9h às 18h30 com intervalo para almoço.
Local: As aulas serão ministradas no auditório Barbosa Lessa no CCCEV (Rua dos Andradas, 1223).
Investimento: R$ 162,00 à vista ou R$ 180,00 em até 2x.
Os 15 primeiros inscritos terão um desconto especial: R$ 150,00 à vista.

Fonte: Koralle

Tuesday, November 08, 2011

Amor, Poesia, Sabedoria

Não precisa ser amante de Edgar Morin para ler esse livro. Bom, ok, eu sou, mas nem todo mundo precisa ter a mesma queda por ele. Ao me deparar com esse livro, fiquei encantada. Falar de amor, poesia e sabedoria, é para poucos intelectuais. Afinal, tirando a sabedoria, os demais temas são renegados por pesquisadores. Não pelo autor do Paradigma da Complexidade.

Afirmo que, quem tiver a oportunidade, leia essa obra. Durante a narrativa, Morin fala do resgate do amor. Algo que todos sentem, poucos falam, poucos entendem. Traz a poesia da vida. E apresenta que nós, como homo sapiens, temos uma parcela de demens. Deixando fluir apenas esse demens, enxergamos somente a prosa da vida. Mas, precisamos olhar ao redor, mesmo em meio a um mundo materialista, que pensou que evoluiria junto com a ciência e a indústria, e perceber o sutil da natureza, da fauna e da flora. A arte de viver.

Resgatar o milagre da vida, pois o amor pode se fazer presente em cada signo, e viver em estado poético, ou seja, viver de forma mais afetiva, percebendo nossa parcela de responsabilidade com o cosmos. Aí entra a sabedoria. Fazer uma auto-análise, construir uma auto-ética e perceber que o que ocorre do outro lado do mundo, nos diz respeito, sim! Afinal, vivemos nessa casa temporária, ao mesmo tempo, e podemos, inclusive, auxiliar na humanização da sociedade.

Para que essa consciência se forme, Morin explica sobre a necessidade do resgate cultural, da valoração das coisas simples, o resgate da origem. Podemos não compreender porque as coisas estão da forma que se apresentam, mas, indo ao encontro dessas informações, seremos capazes de compreender o futuro, e, a partir de nossa auto-ética, poetizar a vida e transformar o planeta em um lugar melhor. Essas e outras várias questões são levantadas pelo autor, que durante seu discurso literário resgata origens e nos faz pensar.

Em um tempo onde o egoísmo, o materialismo e a cultura burguesa ditam as regras, podemos, tranquilamente, a partir dessa perspectiva, criar inter-textos que façam da poética uma filosofia de vida amorosa.

Indico muito essa leitura!





Monday, November 07, 2011

Curso sobre cinema de Hitchcock

O Museu da Comunicação, através da Associação de Amigos, em parceria com a Cena Um Produtora, promove o curso A obra de Alfred Hitchcock. As aulas serão ministradas pelo jornalista, escritor e crítico de cinema Carlos Primati, de 16 a 19 de novembro (de quarta a sexta), das 19h30min. às 22h30min., e no sábado (das 9h30min. às 12h30min.). Os alunos recebem apostilas e certificados de participação, além de DVD (trailers) e CD (trilhas sonoras) promocionais. Inscrições: www.cinemacenaum.blogspot.com

O curso propõe uma extensa revisão da carreira e filmes de Hitchcock, analisadas a partir de seu pleno domínio da técnica cinematográfica e da linguagem narrativa, expoentes do cinema clássico. Serão exibidos trechos selecionados dos principais filmes do cineasta, considerado um dos mais populares diretores de toda a história do cinema. Seu perfil característico é reconhecido até mesmo, por aqueles que jamais viram seus filmes, da mesma maneira que o mais casual dos cinéfilos é capaz de citar alguma cena memorável de um filme do diretor, mesmo que nem o tenha assistido! Este é o poder inigualável da obra de Hitchcock.

O curso totaliza 12 horas/aulas. O investimento é de R$ 140,00 (cento e quarenta reais), pagos através de depósito bancário ou cartão de crédito/débito on line. Outras informações em cenaum@cenaum.net ou no telefone: (51) 9101-9377. Apoio: Cinesystem, E O Vídeo Levou e Mundo Cult - Papo de Cinema. Inscrições em www.cinemacenaum.blogspot.com 




Thursday, November 03, 2011

A importância de aprender uns com os outros

No dia 10 de novembro, quinta-feira, acontecerá mais um encontro do One TED a Day no Nós Coworking. Dessa vez, os convidados são Florentine e Henrique Versteeg-Vedana e eles vão contar suas fantásticas experiências de vida e conversar com a platéia sobre redes de aprendizado e a importância de aprender uns com os outros.
Florentine é da Holanda, morou nas Bahamas e na Nigéria, e vive no Brasil desde 2009. Desenvolve projetos de mudança social internacional e educação informal. Desde 1993, é membro ativo do CISV, organização internacional que traz consciência cultural e educação para crianças e jovens ao redor do mundo, através de programas e iniciativas internacionais. Através do CISV, Florentine já esteve em mais de 30 países. Desde 2010 trabalhando no Hub São Paulo, Florentine idealizou a HubEscola  (hubescola.com.br), cujo propósito é criar e estimular um ambiente de aprendizado para inovadores sociais. Hoje esse projeto acontece em paralelo com outras iniciativas em diferentes Hubs ao redor do mundo.
Henrique é brasileiro e já morou em diversos países, como Canadá, Romênia, Holanda, Dinamarca e China. Foi presidente da AIESEC no Brasil e consultor em sustentabilidade na Holanda. Estudou na Kaospilot, escola internacional de empreendedorismo e inovação social localizada na Dinamarca. Durante três anos, como parte da educação na Kaospilot, envolveu-se  em diversos projetos relacionados ao desenvolvimento rural e local, juventude, educação, sustentabilidade, energias renováveis ​​e construção de comunidades. Desde 2009 atua como consultor em processos de liderança participativa, educação informal, projetos colaborativos e formação de jovens.
O evento acontecerá no dia 10/11, às 19h30 no Nós Coworking, que fica no Shopping Total – Avenida Cristóvão Colombo, 545, prédio 2, 5 andar – Alameda dos Escritores – Porto Alegre/RS. A inscrição é gratuita. Basta mandar um email para queroparticipar@noscoworking.com.br

Tuesday, November 01, 2011

Livro na praça




Do palco do teatro para a mão do público. Esse é o destino, agora, da história narrada em Caminhos que Cruzei, Amigos que Encontrei.
A obra ditada pelo espírito Felipe e psicografada pela médium Elis Dutra, ganha cena na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Então, dá uma passada na Praça de Autógrafos, no domingo, dia 06 de novembro, às 14h30min e não perca esse espetáculo!


A dança das Almas

“Hoje em dia, mais do que nunca, nossa sociedade se mostra competitiva e consumista. Os relacionamentos parecem ter assumido um caráter imediatista e supérfluo. As pessoas reservam muito pouco tempo para se dedicar aos familiares e amigos: os pais quase não veem os filhos, preferindo dedicar-se mais ao trabalho, buscando ‘independência pessoal’; os casais carecem de diálogo: os mais pobres declaram a necessidade de preocupar-se mais com a questão financeira, buscando a sobrevivência, e os mais ricos, trabalham com afinco para multiplicar sua riqueza, buscando status. No passado os casamentos eram mais duradouros? Sim, afinal a mulher não poderia deixar o lar, pois o mercado de trabalho não a acolheria, e o homem não teria quem cuidasse de sua casa e de seus filhos. A ‘aliança eterna’, muitas vezes, nada mais foi do que um pacto de muitos interesses. O relacionamento de hoje parece ‘empobrecido’, mas se analisarmos a fundo, poderemos perceber que hoje o que existe é mais verdadeiro. Mais do que nunca, homem e mulheres tem a oportunidade de revelar sua verdadeira face, graças à igualdade de direitos finalmente reconhecida pela sociedade. Sendo assim, verificaremos que não há um retrocesso, como muitos podem estar afirmando, e sim uma evolução nos relacionamentos. Atualmente as pessoas não precisam, como antigamente, fingir que tudo está bem, e esta honestidade pode ser o começo na construção de algo melhor!”

Na era pós-moderna, temos, como seres dotados de livre-arbítrio, a oportunidade de não mais estarmos ligados à situações que nos deturpem os sentidos, nos deixando em situações doridas e sem crescimento. O trecho acima foi extraído da obra A Dança das Almas, do espírito André, com psicografia de Sofia Lyra.

A obra faz repensar nossos conceitos, em como estamos encarando a vida e as pessoas, frente a uma sociedade consumista, tida como injusta, e sem amor. Mas, a realidade é que nos deparamos com seres dotados de resquícios de vidas passadas, assim como nós, que apresentam, ainda, sentimento de posse quando a alma reconhece uma situação que não mais cabe para o século em que vivemos. Nossas vidas passadas sempre estarão inconscientemente impressas em nossa passagem pela terra. Todavia, estamos nesse planeta para justamente desfazer as amarras, retomar relacionamentos onde o fio condutor seja o amor, o perdão e a compreensão para um crescimento mútuo de almas. Para aprendermos a deixar o orgulho e o egoísmo de lado, precisamos nos oportunizar momentos de silêncio, nos tornando a parte da sociedade porém, revendo nossos conceitos para que possamos, após a interiorização, renascermos em vida terrena como pessoas conscientes de nossas dificuldades e, principalmente, de nossas qualidades. A terra é nossa escola, passaremos pelos “anos letivos”, ou seja, cada encarnação, até aprendermos a lidar conosco, com o próximo sem ferir nem um nem outro, tendo consciência de almas imortais que somos.

A história desse livro é encantadora. Traz ao palco da leitura, questões pertinentes ao relacionamento humano, a arte como terapia, ao nosso comportamento frente o outro e, acima de tudo, frente a nós. Somente tendo clareza de quem somos, de como podemos vencer nossos medos, traumas e desgostos, podemos optar por algo que nos conduza não só ao amor, pois ele está sempre presente em nossa vida, mas a um caminhar mais valoroso com e para o mundo. Só doamos quando temos capacidade disso, só temos essa capacidade ao tratarmos nossas próprias mazelas interiores, sem respingar pelo universo nossas inconsequências. Pois no fundo, todos querem amar e ser amados, isso começa em nosso nascimento e contato com nossos pais, só que a vida vai além do ambiente de casa, precisamos ir para o mundo, para isso estamos aqui. E, nesse ir para o mundo, precisamos interagir com ele mas, ao mesmo tempo, conosco, como nosso interior, para não deixamos que as moléstias da alma, que todos temos, determinem o nosso corpo, pois é nele que também se reflete nosso eu. Viver nesse mundo que se apresenta, eu bem sei, não é fácil, mas somos partes responsáveis por todo o universo e é justamente isso que essa obra nos faz pensar: em como podemos melhorar não somente nossa vida, mas como tudo que pulsa ao nosso redor e todos que por nossa caminhada passam. “Você pode afirmar que viver o presente, o aqui e o agora, não constitui tarefa fácil, e eu lhe pergunto se não seria possível aprendermos a usar nossa mente, em vez de sermos usados por ela?”

O criador nos oportuniza diversos caminhos para que possamos estar em contato com nosso eu e com o cosmos. Basta olharmos a arte da vida, pois esse livro trata disso e, muitas vezes, é pela arte que encontramos o caminho da nossa existência. 




Monday, October 31, 2011

Não sou deste mundo

Desde criança me sinto totalmente fora do contexto. Não costumo gostar das mesmas coisas que a maioria, fazer o mesmo que todos e, sei que muitas vezes, passo por uma chata. Por outro lado, não consigo me ferir como ser imortal e fazer as coisas por fazer, para representar socialmente algo que não sou. Pode parecer estranho, cômico, ou como quiserem intitular, mas me questiono sempre, de que mundo eu venho e, afinal, o que eu preciso fazer?

Minha única certeza é que sou extremamente estranha perante a vida que pulsa a minha volta. Somos desconhecidas. Costumo me sentir bem com o que quase ninguém gosta e, quase nunca encontro meus pares. Mas, o caminhar segue. E, em alguns momentos, amigos fazem a diferença. Falam conosco sem imaginar de fato o que está nos acontecendo, mas de alguma forma pressentindo que se fazem importantes naquele instante. Foi o que aconteceu hoje comigo. De quebra, “ganhei” essa bela narrativa feita pelo meu amigo Rodrigo G. Figueiredo. Compartilho com aqueles que se sentem meio perdidos nesse planeta de Deus, assim como eu.

“Eu descobri esses dias que Deus sabe fazer contas melhor do que eu. Sabe exatamente o dia que devo parar de chorar e seguir em frente. Conhece bem o ponto onde eu ligo o pisca e mudo de estrada. Cronometra o tempo exato da queima dos barcos que poderiam me fazer voltar. Dessa vez não. Não por este oceano novamente. Depois dos navios negreiros. Outras correntezas.”

Imaginário fúnebre

Na terra, para tudo existe uma data. É dia das mães, dos pais, dos namorados, das crianças, dos avós, e, agora, até dos homens... Deve ter o dia da sogra também. Como não possuo uma, não sei dizer. Enfim, os apelos comerciais agendam a vida dos terráqueos, isso é fato!

Quem me conhece, sabe que não sou nem um pouco preconceituosa com escolhas religiosas, afetivas, mercadológicas e afins. Cada um sabe de si e, se nos relacionamos com livre-arbítrio, ou aceitamos o outro como é, ou pulamos fora dessa rede. Portanto, quem cultiva a prática do dia dos finados, que será “celebrada” na próxima quarta-feira, dia 02 de novembro, não se sinta ofendido com o meu discurso que segue.

Creio que, mais uma vez, há um tino bem comercial, e mais uma data criada pelo homem ao habitar o planeta azulzinho. O imaginário popular, e da grande maioria, crê ser pertinente homenagens póstumas à beira do mausoléu de seus antepassados. Perguntam ao pó e oram a ele. Colocam flores para enfeitar o jardim da última morada de ossos já carcomidos pelo tempo.

Eu, que creio na existência da alma, na imortalidade do espírito e na reencarnação, não consigo me apegar a esses ritos culturais. Acredito que como almas imortais, possuímos o universo e que, aqueles que amamos, sempre que são lembrados, sentem a energia carinhosa que enviamos. Quando amamos alguém de verdade, nunca no passar dos dias esquecemos-nos dos bons momentos, nunca deixamos de lado uma prece, uma reza, uma oração ou como quiserem intitular. E, tenho com isso, consciência de que não irei encontrar essas pessoas que não mais habitam o planeta, em dia e hora marcada em um cemitério sem almas. Na verdade, o enterro é apenas uma satisfação social, criada para e pelo homem. Os nossos restos mortais serão os mesmos, caso sejamos enterrados ou cremados. Ok, o cemitério traz mais higiene, se não, mortos estariam por todos os lados e as cidades mais fétidas do que já são. Para mim, essa função organizacional já basta!

Mas claro que um dia passei por uma situação, no mínimo curiosa, mas que me provou que ali não há mais nada, apenas o oco, que já está em nosso coração. A primeira vez que adentrei um cemitério, foi para velar e enterrar o corpo do meu avô. E, sim, ao ver seu caixão ser empurrado e tapado, senti um desespero tremendo. Contei os dias para a visita ao cemitério, quando então embelezaria sua lápide com as flores que ele tanto ama. No dia do encontro segundo com o vácuo, corri pelos corredores e num instinto cheguei em seu local de despojos. A alegria que me fez ir àquele ambeinte, sumiu ao obviamente eu me deparar com uma foto. Lógico! Santa bestialidade a minha, imaginar que ele estaria me esperando pro café da manhã. Foi ali, naquele momento, que me dei por conta que não me adiantava louvar sua carne em decomposição e, sim, me ligar à ele pelo amor, pela oração, pelos valores que ele me ensinou. Compreendi naquele momento que somos maiores do que nosso cativeiro carnal. Que o universo do Criador é nossa morada e que, diariamente, podemos prestar pequenas homenagens aos nossos amores que já estão na realidade. O fio que une os seres vem do coração, não da carne.

As flores podem enfeitar todos os momentos dos nossos seres queridos, basta que pensemos forte nisso. Nossas palavras de amor chegam aos seus ouvidos e, em seus corações, o nosso nobre sentimento. E, mesmo que já tenham reencarnado, sentem as energias positivas. Afinal, mortos estamos nós, com a alma cativa em um planeta desumano, por mais humano que possa parecer.

Que façam as procissões, as homenagens, o cantar de choro nos cemitérios do país, mas que, ao virarem as costas, permaneçam em vibrações de amor por aqueles que aqui não mais estão. Todo dia é dia de amarmos, de emanarmos energias positivas, de prestarmos pequenas homenagens possíveis pelo milagre da vida. Em uma era terrena de extremo consumo e caos imaginário, como diria Edgar Morin, "O problema da vida e da morte foi ocultado por esta agitação em que fomos envolvidos." Homenageie sempre!

Garimpada IV

A Rosa do Povo

Síntese de seu tempo, o livro de Carlos Drummond de Andrade retoma o lirismo social dos anteriores e atesta a maturidade do poeta mineiro




Depois das primeiras incursões em uma poesia participante e social em Sentimento do Mundo (1940) e José (1942), Carlos Drummond de Andrade, mineiro de Itabira do Mato Dentro (1902-1987), atinge o nível mais bem-acabado dessa linhagem no livro seguinte, A Rosa do Povo (1945). Composta por 55 poemas, escritos entre 1943 e 1945, a obra desponta como a criação da maturidade do poeta. 

No momento em que a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim, o nazi-fascismo deixava de imperar na Alemanha e na Itália e o Estado Novo de Getúlio Vargas fechava seu ciclo, a publicação do livro de Drummond surgia como um manifesto em que se denunciavam as crises de seu tempo e se anunciava um outro, amparado pela onda de esperança no socialismo soviético. Ligado ao Partido Comunista Brasileiro (chegou a ser um dos editores da Tribuna de Imprensa, do PCB, a convite de Luís Carlos Prestes), o poeta elege a luta como força motriz de uma poesia que, até então, se nutria principalmente das idiossincrasias de uma existência centrada no eu. 

Exceções feitas aos poemas O Mito e Caso do Vestido, A Rosa do Povo abstém-se de certos temas comuns na lírica drummondiana, como o amor e o cotidiano apreendido pelo humor. Outras temáticas predominam no livro — as que Drummond identificou na própria obra quando organizou uma antologia poética em 1962 — além do choque social: o indivíduo, a terra natal, a família, a própria poesia e os amigos. 

Foi o lirismo social que tornou o livro tão bem-sucedido ante os leitores. A palavra ganha aqui o poder de transformar o mundo, como se percebe em Nosso Tempo: "O poeta/ declina de toda responsabilidade/ na marcha do mundo capitalista/ e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas/ promete ajudar a destruí-lo/ como uma pedreira, uma floresta,/ um verme".

Fonte: Site Educar para Crescer

Garimpada III

O Escritor e sua Missão


 
(Tradução de Kristina Michahelles, Zahar, 208 páginas, 34 reais) ”Basta compará-lo a Proust e às nouveautés psicológicas, surpresas e bijuterias que abundam na obra deste para se dar conta da diferença no acento, na entonação moral. Os achados, as novidades e preciosidades psicológicas do francês não passam de um divertimento quando comparados às revelações cadavéricas de Dostoiévski, um homem que esteve no inferno.” É assim que Thomas Mann se refere a outro mestre, o russo Dostoiévski, em O Escritor e sua Missão, reunião de ensaios sobre literatura do autor alemão que ganha agora primeira versão em português. Não era sem tempo. O livro é um caminho valioso para quem quer não apenas aprender mais sobre a construção literária e as diferentes visões que os escritores têm do ofício, mas também compreender, como num curso de história da arte, as mudanças enfrentadas pela literatura nos séculos XIX e XX. Um livro-base para afinar futuras leituras.

Fonte: Revista Veja

Garimpada II

Filme sobre Tancredo Neves mostra estratégia que derrubou a ditadura

Documentário fecha trilogia de Silvio Tendler, que já reproduziu história de JK e João Goulart


Há tempos que os documentários de Sílvio Tendler deixaram de ser assunto para as editorias de cinema. "Em Utopia, coloquei uma fala da Dilma (Roussef), gravada bem antes que ela fosse candidata. E fui acusado de estar atrelando meu filme à sua campanha. Agora, dizem que estou fazendo a campanha do Aécio (Neves)." O novo documentário de Tendler, que estreia hoje, chama-seTancredo - A Travessia. Mostra como Tancredo Neves construiu a arquitetura política que derrubou a ditadura militar no próprio colégio eleitoral que ela criou, o das eleições indiretas. Tancredo era avô de Aécio Neves - logicamente Tendler está atrelando seu filme à campanha de Aécio para ser presidente.
Dilma, Aécio. Personalidades diferentes, ligadas a partidos diferentes. "O que essa gente pensa que sou?" Tendler está louco para voltar a fazer filmes que interessem aos críticos - e às editorias de lazer e cultura. Tancredo - A Travessia começou a nascer há 26 anos, quando Tendler foi autorizado a documentar a posse de Tancredo Neves como presidente do Brasil. A posse não houve porque, a poucas horas da cerimônia, o Brasil estarrecido descobriu que o presidente eleito não tinha condições de assumir. "Ele virou personagem de uma tragédia grega", sentencia Tendler.
Há dois anos, o projeto sobre Tancredo voltou a sua vida. Fecha o que não deixa de ser uma trilogia, iniciada por Os Anos JK, sobre a presidência de Juscelino Kubistchek, eJango, sobre João Goulart, que virou estandarte da campanha pelas Diretas. Os Anos JKfez 800 mil espectadores, Jango passou de um milhão. Tendler foi ainda mais longe e seu documentário sobre Os Trapalhões fez estratosféricos 1,7 milhão de espectadores. Esses números superlativos pertencem a outa era. Se Tancredo fizer 100 mil espectadores, Tendler já se dará por feliz. "É a nova realidade do documentário e do mercado", avalia.
Juntando material filmado e de arquivo, Tendler reuniu cerca de 40 horas sobre Tancredo Neves. Não foi um filme difícil de montar, pelo contrário. Durante todo o tempo, Tendler pensava em fazer justiça ao político, mas também ao homem. "Tancredo foi um grande estrategista político. Viveu vinte anos à sombra da ditadura. Tinha fama de conservador. Mas foi ele quem construiu a travessia da ditadura para a redemocratização. Tancredo garantiu a transição pacífica. E ele era um homem engraçado. Tanto quanto o político, queria servir ao homem."
Durante as sessões do filme no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o público não resistia. Ria e chegou a aplaudir uma declaração de Tancredo - "Mineiro que é radical pode até ter nascido em Minas, mas não é mineiro". Seu nome virou sinônimo de negociador, e nunca foi associado a denúncias de corrupção, esse flagelo que hoje, mais que nunca, assola a política, e não apenas a brasileira. Tendler conta porque isso é tão importante no momento atual. "Há uma descrença dos jovens na política e nos políticos. Mas quando eles negam sua participação política, seu engajamento, na verdade estão fazendo uma política perigosa. Tancredo é uma boa ferramenta para o jovem descobrir a arte e a esperteza, a astúcia da política."
Tendler tem feito um trabalho de formiguinha. Ele levou o filme aos mais distantes rincões do Brasil. Só esta semana esteve em São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas e Brasília. Os campinenses estão assistindo a uma retrospectiva de sua obra. Tendler tem muito orgulho de O Veneno Está na Sua Mesa, um documentário de 40 minutos sobre os agrotóxicos que disponibilizou na internet. "É só entrar no YouTube, digitar o título que o filme vai aparecer, com a recomendação de que sejam feitas cópias para ajudar na circulação das informações." Tendler está envolvido em dois ou três projetos neste momento, entre eles, um filme longo sobre o Poema Sujo de Ferreira Gullar e outro sobre a luta dos advogados contra a ditadura militar.
Palavras como humanidade e conscientização não perderam o sentido para esse veterano batalhador. Ele sabe que, à margem das telas, Tancredo - A Travessia conta com as redes sociais para tentar criar um bochicho. Talvez, fora das vias tradicionais, Tancredo termine fazendo um milhão de espectadores - Veneno já fez 100 mil na rede. Tendler põe fé no filme. Muita gente já lhe disse que é seu documentário mais emocionante. Vai ser difícil ficar indiferente diante da integridade do dr. Tancredo, que recorreu à figura mítica de Tiradentes em sua campanha presidencial. Como o inconfidente, o negociador, mineiro até a medula, também era "enlouquecido por liberdade".

Fonte: Estadão

Garimpada

'Bonequinha de Luxo' completa 50 anos


Tinha tudo para dar errado: autor do livro que inspirou o filme Bonequinha de Luxo, o vaidoso Truman Capote queria Marilyn Monroe para o papel de Holly Golightly, a interiorana que cria uma persona para brilhar em Manhattan. Mais: insatisfeitos com uma das canções, os produtores pretendiam extirpá-la. Tratava-se de Moon River, de Henri Mancini e Johnny Mercer. "Felizmente, nada disso aconteceu, Audrey Hepburn ficou com o papel e a música tornou-se um clássico", comentou o jornalista Sam Wasson, autor deQuinta Avenida, 5 da Manhã, lançado recentemente pela editora Jorge Zahar.
Veja também:

Audrey. Elegância com o "pretinho básico" de Givenchy - Divulgação
Divulgação
Audrey. Elegância com o "pretinho básico" de Givenchy
Trata-se não apenas dos bastidores de um filme que se tornou um clássico, mas principalmente do relato de como uma obra contribuiu para transformar a moda, a liberdade feminina e a indústria cinematográfica. O livro chega no momento em que se comemoram 50 anos deBonequinha de Luxo, fato também comemorado pela Paramount, que está lançando uma caixa de DVDs com discos repletos de extras (o making of é imperdível), fotos, livro e uma carta assinada pelo cineasta Blake Edwards.
Wasson conversou com o Estado por telefone e anunciou que já prepara outra biografia, dessa vez do diretor e coreógrafo Bob Fosse que, com Cabaret, Sweet Charity e All That Jazz, revigorou o cinema musical nos anos 1970. "Meu interesse sempre foi grande pelos pioneiros, daí gostar tanto deBonequinha de Luxo."

'Bonequinha de Luxo', clássico do cinemas', completa 50 anosReprodução
 

De fato, a história da moça que chega em Nova York em busca de um homem que a sustentasse, enquanto vive sozinha e disponível para festas e sexo casual, escandalizou o público quando publicada em livro, por Capote, em 1961. "Aparentemente, era um livro inadaptável para o cinema, pois a história não tinha um fim conclusivo, a personagem principal era liberal demais e ainda amiga de um gay", conta Wasson. "E, para completar, Capote queria Marilyn Monroe para o papel principal."
Não era surpresa tal desejo. Segundo Wasson, até aquele momento, as mulheres no cinema eram divididas em duas categorias: boas e más, Doris Day e Marilyn. Se a primeira usava vestidos com cores claras e sempre era premiada por um final feliz, a outra... Bem, as más usavam batom vermelho, decote de parar o trânsito e conquistavam a redenção pela morte ou arrependimento. Assim, nada mais natural que uma das estrelas mais sexy do cinema assumisse o papel.
"Com a confirmação de Audrey Hepburn como Holly, Bonequinha de Luxo modificou essa dicotomia profundamente”, sustenta Wasson, lembrando que a vitória na escalação foi conquistada pela insistência do diretor Blake Edwards. “Foi um importante passo dado por Hollywood, pois uma mulher tão bela e respeitável como Audrey mostrava ser possível representar uma jovem que aprontava sem ser vista como uma menina má."
Claro que a evolução foi tortuosa, pois a atriz chegou a recusar o convite ao perceber (e se assustar com) os detalhes do papel. E a aceitação representou o início dessa consolidação de uma nova imagem feminina. "Não foi fácil para Audrey, especialmente porque ela acabara de ser mãe e também prezava a vida pessoal", conta o autor. "Holly era um papel que negava a imagem que o público tinha dela. Foi muito custoso para os produtores convencerem a Paramount e o marido de Audrey (o ator Mel Ferrer) de que era algo que ela podia fazer."
Outra ousadia estava no figurino. Uma das profissionais mais respeitadas nessa área no cinema, a mítica Edith Head foi obrigada a abrir mão de vestir a estrela do filme, responsabilidade assumida por Hubert de Givenchy. Certamente, até hoje as mulheres de todo o mundo agradecem ao estilista pois a imagem de Audrey, vestida com um "pretinho básico", transmitia uma sofisticação que parecia acessível às garotas que estavam na plateia do cinema, ao contrário dos figurinos da maioria das divas dos anos 1940 e 50.
De fato, na abertura do filme (cena gravada, aliás, na Quinta Avenida, às 5 horas da manhã, daí o título do livro), a atriz aparece diante da Tiffany’s, a famosa joalheria de Manhattan - e Audrey nunca esteve tão encantadora e luminosa. Com o cabelo puxado para trás, óculos escuros e portando uma piteira, ela incorporou uma imagem inesquecível que não esmaeceu com o tempo. Nem todos os muros, porém, foram derrubados. O homossexualismo do vizinho, por exemplo, foi ignorado e Holly não exibe uma vida sexual tão aberta na tela grande. Mas cenas como a de Audrey procurando seu gato pelas ruas de Nova York durante um temporal transformam Bonequinha de Luxo em um dos dramas mais românticos e deliciosos de Hollywood. 

Fonte: Estadão