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Professora, Jornalista, Relações Públicas e Mestre em Comunicação Social. Apaixonada pela comunicação e pelo imaginário humano e cultural.

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Monday, January 28, 2013

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Impossível, nesse começo de semana, desejar bom dia, como faço diariamente. Frente ao amanhecer ensolarado de domingo, de brisa suave e de vida pulsante nas ruas, recebemos aqui na região sul notícias da fumaça mortífera que ceifou a vida de, até o momento, 248 jovens. Indivíduos no começo de sua caminhada profissional, humana, afetiva. Eles queriam apenas divertir-se, mas foram chamados de forma estúpida a vida espiritual.

Como espírita e credora na vida após a morte e, ainda, na reencarnação, compreendo que aos olhos de suas programações terrenas estava o termino de suas formas humanas, em matéria, programado para este fim, exatamente como foi. Porém, por mais compreensão que eu tenha do espiritismo, não vejo conforto na situação e, creio que dizer lamentável, horrível, inacreditável, são qualificações não cabíveis ao incêndio na casa noturna Kiss, de Santa Maria.

Assisti a notícia não apenas da morte de gaúchos como eu, mas de seres humanos e isso me dói como nativa do Rio Grande do Sul, me dói como ser humano passível da não compreensão frente ao fato. Eram pessoas, eram jovens que saíram para complementar felicidade e depararam-se com o fim de um ciclo. E esse fim de ciclo atinge a todos nós. Creio que todos os gaúchos morreram um pouco com a tragédia. Eu ao menos morri.

Santa Maria, a cidade onde tenho amigos e parentes, amanheceu fúnebre com toda a razão e, mesmo que pessoas próximas a mim não tenha sido diretamente atingidas pelo ocorrido, digo que lastimar é pouco frente à realidade obscura, em que um lindo dia de sol foi condensado pela fumaça da morte.

Não me cabe fazer especulações da incompetência dos profissionais do local. Mas me compete desejar paz aos que se foram e fé aos que ficaram. Sinceramente não consigo imaginar a existência de uma mãe que está vivendo essa situação surreal e terá que encarar essa realidade até o fim dos seus dias. A ordem da vida alterou-se para essas famílias e para todos nós.

Perdoem-me o egoísmo, o bairrismo ou como quiserem chamar, mas me sinto no direito de sentir essa dor e orar para que as equipes espirituais atendam os desencarnados, os encarnados diretamente ligados aos que partiram à pátria espiritual e a nós que temos essa mancha mortuária para absorver e seguir adiante. E, todos aqueles que de piada fizerem essa situação, minha mais sincera ignorância de sua existência.



Que a paz do senhor esteja conosco!





Tuesday, January 22, 2013

Ler, Viver e Amar




Eu não dava nada por esse livro, mas me surpreendi e ele me deu muito.


Reza a lenda, proferida pelos amantes da literatura e, consequentemente dos livros, que não se deve julgar uma obra pela capa. Eu julguei, mas como a minha cabeça andava pelas tabelas (parafraseando Chico Buarque), li a sinopse e comprei a escritura achando que seria uma leitura divertida mas que exigisse menos de mim. Ledo engano...

Ler, Viver e Amar, obra de Jennifer Kaufman e Karen Mack, editada pela Casa da Palavra, cumpriu seu papel: fez eu me identificar com a personagem, seu enredo, com as passagens e muito mais! Minha surpresa teve início quando me deparei com frases ótimas no começo de cada capítulo, sendo o primeiro uma citação de Jorge Luis Borges. Passei para a narrativa e, incrivelmente, não queria desgrudar! Dora, a balzaquiana e personagem central do volume, estava recuperando-se da separação, mesmo após um ano. Era compulsiva por livrarias e, logicamente, adquirir várias brochuras e, ainda, tomar porre de livros. Sim, porre literário. Em minha opinião e, confirmado por Dora, os melhores.

Ardentemente Dora desejava uma nova vida a partir de uma recolocação no mercado de trabalho, ela era jornalista; um novo amor, mas isso não era prioridade; vencer os traumas de infância e, criar seu próprio mundo. Além, é claro, de sua dedicação nas sempre horas vagas, o que no caso de Dora eram praticamente todos os dias, à porres literários. Submersa em sua banheira de espumas, acompanhada de um copo de vinho, a personagem fazia pilhas e pilhas de livro no seu refúgio, o banheiro, e ia sorvendo o líquido alcoolico e tinto, juntamente com as escrituras selecionadas para a ocasião. Atire a primeira pedra quem nunca buscou respostas nas páginas da ficção.

Identificações do meu “EU” a parte, volto a história de Dora, que se apaixonou por Fred, que trabalhava na livraria que ela ia diariamente e, era formado em Literatura. O romance que tinha ares de similaridade entre almas e corpos, desenrolou-se como um verdadeiro desastre, quando Dora assumiu porque quis, a oferta de amor à mãe e a sobrinha do namorado. Foi quando, da morte da irmã de Fred, drogada, ela deparou-se com o egoísmo masculino, aliás, muito visto nos dias de hoje.

Encontros frutíferos com o ex-marido, o surgimento de um freelancer para o Times aqui, outro ali. Dora começou a reescrever sua vida e, o livro no qual ela é a figura principal, trouxe um legado literário, a partir das contribuições dadas pelas autoras, ao inserir citações de grandes homens da literatura, dos comentários de Dora e, ainda, da lista de livros e autores usados para confecção da escritura, ao final das páginas fictícias. Identificações minhas à parte, confira alguns trechos da obra, dentre eles, o perfil do leitor, projetado por Dora e o ex-marido, Palmer.


“Não importa o que aconteça a você, Dora, você pode sempre escolher um livro.”

“No topo da lista estão os puristas – pessoas que leem com a finalidade de absorver o estilo literário elegantemente construído e saborear as brilhantes metáforas, os personagens inventivos, as figuras de linguagem empolgantes e os diálogos faiscantes. A história é um elemento alheio à questão.

... os acadêmicos – leitores que jamais superam realmente a forma como liam um livro nas aulas de inglês do primeiro semestre, sublinhando ou destacando, dobrando a orelha de determinadas páginas, procurando no dicionário as palavras com as quais não estão familiarizados e rabiscando comentários consistentes nas margens.

Os adoradores de livros vêm em seguida. Eles mantêm seus livros cobertos (e não por que são romances), usam marcadores de páginas e absolutamente nunca deixam o livro tocar o chão. Eles olham para o livro como se fosse um ser com sentimentos, um objeto de desejo vivo, que respira, que precisa ser tratado com absoluto respeito. Eles leem cada palavra, até mesmo as notas de rodapé de página.

Em seguida vêm os leitores que só querem uma boa história tradicional e tem certeza absoluta disso. Eles pulam os longos trechos descritivos, passam os olhos pelas digressões e concentram a atenção em quem, o que e onde até o último grau. Uma subcategoria destes inclui as pessoas que lêem livros em busca de sexo, violência ou qualquer outra propensão particular e fazem uma leitura rápida dos trechos que não os interessam.

O nível mais baixo da cadeia alimentar vem em seguida e inclui os leitores em busca de prestígio, um grupo de imitadores ridículos que não querem realmente ler o livro, mas sim ser visto com ele, como a notória jovem loura pendurada no braço de um magnata. Eles passam os olhos pelo livro para saber o enredo e o carregam por toda a parte como se fosse uma bolsa de grife. Ainda piores são as pessoas que ouvem audiolivros, a nova versão dos livros condensados, ou leem romances baseados em filmes em cartaz. Essas pessoas se consideram leitoras, mas não são. O mais irritante é quando elas entram em uma conversa e agem como se tivessem realmente lido. Eu incluo os leitores narcolépticos nessa categoria de não leitores. Pessoas que usam os livros como sonífero e estão com o mesmo exemplar pousado sobre a cabeceira da cama há seis meses. Também há os leitores de banheiro – você sabe, aqueles com prateleiras de revistas perto da privada com exemplares velhos.

Depois vêm os leitores que gostam de andar nas livrarias dos cafés acalentando capuccinos mornos, monopolizando a mesa durante horas enquanto ocasionalmente leem livros sem comprá-los, deixando-os em pilhas sobre a mesa para que os vendedores os recoloquem no lugar.

E não esqueçamos aqueles que nunca terminam um livro – pessoas que gostam de escolher livros, comprar livros, começar livros, mas o que eles não parecem conseguir fazer é terminar os livros. Eles constantemente enganam a si mesmos, pensando que esse é o livro que vão ler até o fim, e eu até acredito que eles estão bem-intencionados, mas assim como as dietas e as resoluções de ano novo, a vontade de perseverar normalmente desaparece. Devo confessar que às vezes acabo caindo nessa categoria.

A categoria mais frustrante de todas inclui pessoas que leem um livro e simplesmente não entendem. [...] Mas uma vez que eles lhe contam sua análise, não há realmente nada que você possa fazer a não ser mudar de assunto.”

“Um bom amante precisa saber conversar, seduzir, filosofar, ser poético, fofocar, confessar e elogiar. E ter o outro lado, o lado negro, o discurso obsceno, impróprio, que febrilmente descreve em sussurros e murmúrios cada movimento sensacional.”

“A coisa certa – há tantas escolhas diferentes no que se refere a essa questão. Sei que há momentos em que você está disposto a deixar tudo de lado por alguém que você ama e há momentos em que você não está. Os momentos em que você não está, muitas vezes, põem tudo em dúvida e definem o tipo de pessoa que você é. Meu ponto de vista é: você poderá conviver consigo mesmo quando faz tais escolhas? Fred parece estar perfeitamente bem.”

“Ele é um cara que abandona. O que não é nada bom no meu mundo.”

“Eu quero um emprego. Eu quero uma família que seja calorosa e que me ame. Eu quero ser normal e ter meu próprio lugar. Não me interessa se isso está soando burguês. É isso que eu quero. Pronto.”





Monday, January 21, 2013

A MENINA QUE ODIAVA LIVROS

Os livros tem o poder de transformar nossas vidas! 




Sangue e Poder


Readaptando-me à vida social, o que para mim significa ir à cinema, teatro, ler romances e visitar livrarias sem culpa, fui conduzida na noite de sábado pelo meu namorado ao cinema. Django era a proposta.

A película da Tarantino, com duração de quase 3h, deixou-me inquieta na cadeira e, confesso, não consegui pousar os olhos sobre a telona em algumas ocasiões.

O discurso é desenvolvido na região sul dos Estados Unidos, dois anos antes da Guerra Civil. Com clima de faroeste, o filme trás a história do negro Django, encontrado e resgatado durante uma comercialização de escravos, pelo alemão Schultz. E, o que seria apenas uma “parceria” momentânea, onde Django ajudaria o alemão a encontrar certos senhores de engenho para eliminar e receber a recompensa estendeu-se por um rigoroso inverno.

Concluída a estratégia inicial de o negro apontar para o alemão aqueles que este último desejava assassinar, a história de Django, separado da esposa pela venda de ambos à fazendas diferentes, fez com que os dois homens disparassem tiros pela região, recebendo recompensas e guardando dinheiro para comprar Broomhilda, que estava na fazenda Candyland, uma das mais famosas da localidade. Essa ação, iniciada com estratégias mentirosas por parte de Django e Schultz, resulta em uma matança absurda, onde o poder humano compete com o econômico.

Esse choque de poder é visto em toda película. Desde quando homens brancos olham surpresos para Django bem vestindo, em cima de um cavalo e sendo acompanhado por um homem branco. Neste período em que a história é ambientada, o poder é representando, em toda sua forma, pelo preconceito de raça que, teve ecos terríveis não apenas nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil também. Um legado estereotipado que vemos até os dias de hoje, quando já há o fim da escravidão física.

O longa-metragem de cenas fortes, por meio da matança de armas, também mostra a crueldade dos homens ditos brancos, que não compreendem que os negros são tão humanos quanto eles e fazem da vida desses últimos, verdadeiros infernos. Vemos nas cenas desde a chibata, até cães comendo um dos escravos que se negava, por falta de condições físicas, a lutar como animal com outro de sua condição escravista.

Mais um filme para pensar e repensar o preconceito e ver, ainda, se hoje não somos escravos de velhos mitos do passado.






Monday, January 14, 2013

Linhas em branco



Já estamos no 14º dia de 2013. Há mais de um mês sem escrever no blog, justifico-me explicando que a mudança, para mim, aconteceu ainda em dezembro de 2012. Sim, mudar de casa é uma baita mudança na vida. Faz-nos remexer em um passado esquecido no fundo dos armários, nos oportuniza rever fotos e escritos que já não faziam parte do nosso consciente. Encaixotar a vida em espaços de papelão coloca nosso imaginário em prática, não há dúvida.

Além dessa mudança que me deixou sem internet e sem muito tempo ocioso, havia a finalização de minha dissertação de mestrado e os eventos de final de ano que me cabem organizar, devido a minha profissão. Confesso: seis dias após a mudança de apartamento, fechamos tudo e rumamos ao litoral.

Passado os festejos de final de ano, 2013 teve seu primeiro dia, nas praias da região Norte do Rio Grande do Sul, chuvoso e nublado. Tive a nítida sensação que, mesmo que houvesse crenças de que ainda em 2012 o mundo terminaria, forças divinas estavam nos ofertando um tempo para reflexão. Assim, ainda restam de linhas em branco, 351 dias.

Eles são a nossa oportunidade de reescrever aquilo que deixamos mal historiado em 2012. De olharmos para o mundo de forma diferente, de fazermos com que o “fim do mundo” não seja a destruição de um planeta. 2013 aponta a chance de mudarmos nossos conceitos, vibrarmos dentro e fora de nós, uma energia mais amena, com mais vontade de um mundo melhor em sintonia com a energia cósmica criadora. É a chance de começarmos a arquitetar a Nova Era, iniciando pela nossa profundeza. Por nosso desejo de sermos melhores.

Nunca foi tão importante a máxima já conhecida de Gandhi: “você deve ser a mudança que deseja ver no mundo.” Iniciemos, nesse 2013!




Tuesday, December 04, 2012





!!!!!!!!!!!!















Anna Karénina aterriza nas livrarias


Sugestão de leitura!








E chegamos agora à verdadeira questão moral que Tolstoi queria fazer passar: o Amor não pode ser unicamente carnal porque deste modo é egoísta, e ser egoísta é destruir em vez de criar. O Amor é, então, pecaminoso. E de modo a tornar este assunto tão artisticamente distinto quanto possível, Tolstoi, numa vaga de extraordinária imagin
ação, descreve, em nítido contraste, dois amores: o amor carnal do casal Anna-Vronski (lutando por entre as suas emoções sensuais, mas fiéis e espiritualmente puras) e, do outro lado, o autêntico Amor cristão, como Tolstoi o quis chamar, do casal Kiti-Lévin, com os bens de natureza sensual ainda presentes, mas equilibrados, e em harmonia numa atmosfera de responsabilidade, carinho, verdade e alegria familiar.



Do Posfácio de Vladimir Nabokov






ANNA KARÉNINA
DeLev Tolstoi
Editora: Relógio D'Água

Tuesday, November 20, 2012

Ciclo de cinema: Filme Passagem para a Índia







O Museu da Comunicação promove, com entrada franca, o ciclo Cinema e História Contemporânea I, com filmes ambientados no período, seguidos de comentários de historiadores e outros profissionais da área. A película dessa quarta-feira, dia 21 de novembro, que será transmitida a partir das 18h30min, é Passagem para a Índia, de David Lean.

A atividade é realizada em conjunto com o Centro Universitário La Salle - UNILASALLE. As inscrições são feitas para cada filme através do e-mail hipolito-cinema@sedac.rs.gov.br, onde deve ser informado o nome completo, telefone para contato e um e-mail pessoal. Ainda há possibilidade de enviar uma lista com os filmes que deseja assistir.

Passagem para a Índia (EUA, 1984, 163min), de David Lean, aborda as liberais inglesas, Sra. Moore (Ashcroft) e Adela Quested (Davis), que chegam à Índia e ficam chocadas com o acirrado preconceito racial que existe no país. Felizmente, o gentil Dr. Aziz (Victor Banerjee), está acima da intolerância local e decide ser o guia em uma esplêndida visita às misteriosas cavernas Marabar. Mas o passeio acaba de maneira trágica quando, de repente, Adela sai correndo de uma das cavernas arranhada, sangrando e terrivelmente assustada. A notícia do incidente espalha-se rapidamente por toda a Índia.

Veja mais informações sobre o Ciclo de Cinema de História Contemporânea I.  


Confira a programação completa!





Thursday, November 08, 2012

A história do primeiro teatro do Estado

Livro do jornalista Klécio Santos recupera a trajetória do Theatro Sete de Abril, em Pelotas


Um dos patrimônios culturais do Rio Grande do Sul, o Theatro Sete de Abril é o mais antigo teatro do Estado e um dos únicos remanescentes no Brasil entre as casas de espetáculos construídas na primeira metade do século 19. No livro ‘Sete de Abril – O teatro do imperador’, o jornalista Klécio Santos resgata os 180 anos do espaço. Em um ano de pesquisas, o autor selecionou as melhores histórias, vividas no palco, na plateia e até fora do teatro. O livro reúne curiosidades, fotografias, recortes de jornais antigos, novidades, como textos inéditos do escritor Simões Lopes Neto, e histórias de Lobo da Costa.

A edição é da Libretos, em parceria com Pedro Hasse, da Quati Produções Editoriais, e produção da Ato Produção Cultural. O projeto tem patrocínio da Souza Cruz, por meio do financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O lançamento da obra será realizado neste sábado, 10, às 19h, na Praça Central da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Klécio Santos nasceu em Porto Alegre, em 1968. É formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), com especialização em Patrimônio Cultural no Instituto de Letras e Artes (ILA) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Atualmente, exerce o cargo de editor-chefe da sucursal multimídia do Grupo RBS em Brasília, onde está desde 1999. Antes, escrevia resenhas de cinema no jornal Agora (Rio Grande) e foi editor de Cultura do Diário da Manhã e repórter do Diário Popular, ambos de Pelotas.

Entre as homenagens recebidas, ele destaca o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, com a reportagem ‘Na mira dos Arapongas: O império de Jango devassado no exílio’, e a medalha Trezentas Onças, concedida pelo Instituto João Simões Lopes Neto, com o objetivo de reconhecer aqueles que se destacaram no trabalho pela preservação da memória e divulgação da obra do escritor. Em 2012, concluiu o Master de Jornalismo – Gestão de Empresas de Comunicação, ministrado pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais, em parceria com a Universidad de Navarra, da Espanha.




Fonte: Coletiva.net

Movimento Farroupilha na Feira do Livro



Na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre houve o lançamento do livroRisorgimento e Revolução: Luigi Rossetti e os ideais de Giuseppe Mazzini no Movimento farroupilha da escritora Laura de Leão Dornelles. Este livro é baseado na dissertação apresentada como requisito parcial e final para a obtenção do título de Mestre em História junto ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, tendo como orientadora a Profª. Drª. Núncia Maria de Santoro Constantino. Os jornais raros do período farroupilha (1835-1845), que pertencem à hemeroteca do setor de imprensa, foram fundamentais na realização desta obra. 

Em suma, a obra coloca em cena a Itália do século XIX, que passou por um processo histórico conhecido como Risorgimento. Iniciado por volta de 1815, findou no entorno de 1870, quando atingiu seu objetivo de unificar o território peninsular sob a bandeira de um Estado. No contexto do Risorgimento, Giuseppe Mazzini lutou não apenas em prol da Unificação Italiana, mas pela propagação do republicanismo em escala mundial. Neste sentido, fundou a Giovine Europa, em Berna, no mês de abril de 1834. A Guerra Farroupilha foi contemporânea a esta associação mazziniana, que influenciou uma geração de ativistas italianos, que lutaram no sul do Brasil ao lado dos insurgentes rio-grandenses. Dentre eles, os mais comumente conhecidos são aqueles que, por suas atuações, se destacaram na trajetória farroupilha: Giuseppe Garibaldi, formador e comandante da frota naval farroupilha; Livio Zambeccari, correntemente chamado de “secretário particular” de Bento Gonçalves; e Luigi Rossetti, editor do jornal mais importante da República Rio-Grandense, O Povo, além de Secretário Interino do governo da breve República Juliana (29/07 a 15/11 de 1839). A partir das correspondências e escritos no jornal O Povo de Luigi Rossetti, a presente pesquisa visa compreender como se deu a inserção do ideário de Mazzini na Guerra Farroupilha.





Fonte: Museu de Comunicação Hipólito José da Costa



Thursday, November 01, 2012

Sobre o ano que não terminou...


1968. Há muito desejava ler a obra de Zuenir Ventura: 1968 O Ano que não Terminou – A aventura de uma geração. Nesse livro-reportagem entramos em contato com o melhor e o pior da história do país. Deparamos-nos com uma geração de movimento e uma sociedade em ebulição cultural. Por outro lado, a repressão tomando conta de todos os poros da doxa.

Há dois anos puxei o livro da estante. Comecei a ler. Deu-me enjoo o contato com o ambiente espúrio do Brasil dos anos de 1960, embora eu sempre tenha gostado de estudar sobre esse período histórico, o ditatorial, para fazer minhas humildes comparações com o Brasil dos anos 2000. Ditaduras diferentes, mas ainda assim ditaduras, até porque hoje ela se apresenta de forma mais “velada”. No fritar dos ovos, o período ditatorial também tinha em seu DNA o desejo exacerbado pelo poder, movido pela ganância financeira. Hoje, só quem realmente não quer entender, sabe que vivemos em uma ditadura econômica. A diferença é que ainda estamos longe do pau de arara comandado pelo humano. Fisicamente falando, lógico.

A obra, que começa e termina em um ano novo, em proporções e alegrias diferentes, me fez compreender outro lado do governo militar. Vi durante a leitura que, nesse período de repressão, de corte de liberdade, em todos os sentidos, contávamos com homens e mulheres de uma capacidade cavalar para criar cultura e contracultura. De produzir música, literatura, teatro e afins de uma forma não mais vista no século XXI. Lamentavelmente os militares governavam uma sociedade rica culturalmente. Que soube, através da arte, expressar o seu descontentamento, sua posição frente ao poder reinante, sem medo das consequências. Haja vista os teatros fechados, o exílio de Chico Buarque e Caetano Veloso, que durante a leitura descobri que tinham uma rixa, e o massacre dos estudantes, como a passeata dos 100 Mil, após o assassinato de Edson Luís.

Muitas histórias, muitas uniões culturais, muitos mal entendidos e amizades sendo estabelecidas após o AI-5, o golpe dentro do golpe que realmente foi uma carnificina social. Debrucei-me sobre a obra, como havia começado a dizer, por me interessar pelo assunto. Mas, porque como das vezes anteriores em que iniciei a leitura, não pude deixar de lado.

Explico-me: desde que decidi rumar para o mestrado, e finalmente defini o tema de minha dissertação, a Ditadura Militar passou a ser, ainda mais, parte integrante de minhas leituras e estudos. Por utilizar o método de Hermenêutica de Profundidade –HP – para analisar meu objeto de estudo, a Revista Realidade, é obrigatório que eu mergulhe nos porões ditatoriais e em suas consequências. Uma das etapas da HP é a análise sócio-história do córpus em estudo. Tomei, assim, vergonha na cara e me dediquei a leitura que, não só acrescentará na primeira fase de cada reportagem analisada como referência bibliográfica, como adicionou ainda mais entendimento sobre esse período nublado, frio e sanguinolento, vivido em nosso país tropical.

Uma leitura que deve ser feita, principalmente, pelos jovens de hoje. Para que esses sejam capazes de tirar suas próprias conclusões sobre a história do Brasil e, ainda, para que não se deixem entorpecer por aqueles que ainda querem tapar com panos quentes a estupidez militar. Para fazermos o hoje, precisamos conhecer o ontem e ver que, os motivos “sociais” que causaram lá em 1964 o golpe de Jango (Reforma Agrária, estudantil e tantas outras), não foram resolvidos nem dentro, nem fora da ditadura. Mas, as consequências estão aí. Vale a leitura do 1968, o ano que realmente não terminou mas que, deixou além das marcas brutais, um legado cultural gigantesco. 





Encontros e oficinas sobre a cultura afro-brasileira



O dia 13 de maio, escolhido pela historiografia oficial como símbolo da Abolição da Escravatura, representa apenas o término de um sistema escravocrata que não se adequava com os novos tempos. Não se criaram mecanismos que possibilitassem ao negro exercer de maneira plena sua cidadania, num universo onde a classe dominante (elite) era branca. Foram séculos de escravidão, onde o binômio, representado pelo latifúndio e a mão de obra escrava, sustentou a economia brasileira. A sociedade, ainda, sente os reflexos dessa política colonialista e escravocrata até os dias de hoje. O racismo assumido ou velado, sob os artífices da hipocrisia, constitui-se sempre em uma grande temeridade em qualquer sociedade dita civilizada.

Diante desta realidade histórica, entidades ligadas ao Movimento Negro, elegeram o dia 20 de novembro, data da morte do líder Zumbi dos Palmares, como o dia Consciência Negra no Brasil. Nosso país foi o último a realizar, tardiamente, a abolição (1888) na América. A mesma se efetivou sem a preocupação de como incluir essa população liberta numa sociedade que oferecia a liberdade, mas não a inclusão social.

O Museu da Comunicação Hipólito da Costa, que guarda e preserva parte desta história, através do evento Diálogos e Reflexões sobre a Cultura Afro-Brasileira: Iº Encontro da Consciência Negra, propõe uma série de atividades onde serão debatidas questões culturais, políticas e econômicas relacionadas ao negro no Brasil.

Este evento ocorrerá no Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, Rua dos Andradas - 959, de 09 a 24 de novembro. A entrada é franca mediante inscrição para as seguintes atividades: oficinas, mesas-redondas e o passeio no ônibus da Carris no dia 24 de novembro. A abertura do evento, a exposição e os momentos musicais não necessitam inscrição. Serão fornecidos certificados para as atividades. Informações e inscrições pelo e-mail hipolito-comunicacao@sedac.rs.gov.br






Confira a programação!

Diálogos e Reflexões sobre a Cultura Afro-Brasileira:
Iº Encontro da Consciência Negra no Museu da Comunicação

09/11 – Abertura do Evento – 18h: Samba de roda de umbigada da Escola do Bê-a-bá de Angola Malta – Mestre Renato Capoeira

10/11 – 15h: Mesa-Redonda  Práticas Sociais Afirmativas
Mediador: Arilson dos Santos Gomes
Pedro Rubens Nei Ferreira Vargas - Mercado Público: religiosidade e cultura negra
Roberto Jung - A Presença de um Príncipe Negro, na virada do século XIX, em Porto Alegre
Edegi Maria Gomes da Silva - Quilombo dos Botinhas de Viamão
Clea Santos da Silveira - Direitos Humanos: identidade e eugenia

18h - Momento Musical com o Professor Massareti – Homenagem a Lupicínio Rodrigues: O Filho Da Ilhota

16/11 – 15h: Oficina – Histórias e Lendas Afro-Brasileiras  Teresa de Jesus Reckziegel de Lucena – 20 vagas

17/11 – 15h: Mesa-Redonda  História, Identidade e Cidadania da Cultura Negra
Mediador: Waldemar de Moura Lima
Péricles Gomide - Lanceiros Negros: a traição de Porongos
Roberto dos Santos - Do Exemplo (1892-1930) ao Folhetim do Zaire (1982-2010): Imprensa negra no Rio Grande do Sul
João Batista Marçal - A presença do negro no movimento operário e popular no Rio Grande do Sul

18h – Momento Musical - Grupo De Pesquisa Em História E Samba – Caixa Preta

19/11 a 24/11 – Exposição VIDHAS: Histórias de lutas e conquistas dos negros pelos Direitos Humanos (Memória Carris)

22/11 – 15h: Oficina – Bonecas Abayomi – Edegi Maria Gomes da Silva – 20 vagas
24/11 – 15h: Mesa-Redonda – Compartilhando experiências: Projeto VIDHAS nas Escolas
Mediadora: Vera Deise
Renata Andreoni: Coordenadora da Unidade de Documentação e Memória da Carris e coordenadora do Projeto VIDHAS
Palestrantes do Projeto VIDHAS: João Cândido Neto, Jorge Terra e Lorecinda Abrão

18h – Roteiro Territórios Negros com Ônibus da Carris (Grupo de Trabalho do Povo Negro da Carris)



Fonte: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa