Amante das notícias, apaixonada por palavras, textos, informações, vida, morte. O universo pulsa, mais do que se vê, mais do que se pode falar, é apaixonante! E aqui, um blog de variedades, dicas de livros, filmes, comunicação, gastronomia e uma infinidade de coisas. Sinta-se em casa!
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- Bruna Silveira
- Professora, Jornalista, Relações Públicas e Mestre em Comunicação Social. Apaixonada pela comunicação e pelo imaginário humano e cultural.
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Tuesday, April 16, 2013
Murais da Biblioteca Pública do RS
Jornal Correio do Povo, 15 de abril de 2013. Nota sobre pinturas murais da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul.
Tuesday, March 19, 2013
História do Mobiliário – Da Antiguidade ao Design Contemporâneo
Foto: Cadeira de Salvador Dali. Século XX
Será
realizada, a partir de 20 de abril, a oficina “Da Antiguidade ao Design Contemporâneo.
O objetivo é tratar a produção do mobiliário da Antiguidade ao século XVIII; o
processo de industrialização, no século XIX; os pioneiros do design e a
Bauhaus; as correntes estilísticas na produção do móvel, nos século XX e início
do século XXI.
A
abordagem se dará através da análise de imagens vinculadas a cada período, e a
utilização de recortes de filmes que podem contextualizar e reconstituir o
ambiente e a utilização deste segmento.
Público Alvo: Designers,
arquitetos, diretores de arte, cenógrafos, historiadores, estudantes e
interessados em geral.
Serviço:
Local:
Museu de Comunicação Hipólito José da Costa
Rua:
Rua dos Andradas, 959 - Porto Alegre/RS
Período:
20 de abril a 20 de julho de 2013
Sábados
das 9h às 12h
Valor
da inscrição: 290,00 ou 4 x R$ 85,00
Informações
e inscrições: E-mail: marjanedeandrade@gmail.com
e
no site http://gabinetedearte.blogspot.com
As
vagas são limitadas!
Monday, March 18, 2013
PRÉ-ESTREIA E DIVULGAÇÃO DA PROGRAMAÇÃO da 6ª FestiPoa Literária
A FestiPoa Literária vem chegando na sua sexta
edição. Até agora você já sabe que o homenageado da vez é Cristovão Tezza
(autor do celebrado O Filho Eterno) e terá como anfitrião o professor e
escritor Altair Martins (A Parede no Escuro e Enquanto Água). Mas as novidades
não param por aí, temos quase uma centena de convidados - entre autores,
críticos, teóricos e outros tantos amantes da literatura. E toda essa lista de
participantes, encontros e oficinas já tem data para ser divulgada: dia 16 de abril
(terça-feira), em grande evento no Teatro do SESC-RS, às 19h.
A Pré-estreia e divulgação da programação da 6ª
FestiPoa Literária terá como atrações painel sobre a obra do homenageado
Cristovão Tezza e apresentação da Orquestra Villa-Lobos. O painel será
conduzido pelo jornalista Carlos André Moreira e pelo escritor Altair Martins.
Já o concerto contará com a presença dos solistas Dudu Sperb, Leandro Maia e
Pedrinho Figueiredo - a regência ficará por conta de Cecília R. Silveira.
O evento tem entrada franca
Serviço:
DIA 16/04
(TERÇA-FEIRA)
19h – Apresentação
da programação
19h15 - Painel
sobre a obra do homenageado CRISTOVÃO TEZZA. Convidados: ALTAIR MARTINS e CARLOS
ANDRÉ MOREIRA.
20h – Apresentação da Orquestra Villa-Lobos,
com participação dos solistas DUDU SPERB, LEANDRO MAIA e PEDRINHO FIGUEIREDO.
Regência: CECÍLIA R. SILVEIRA.
Teatro do SESC-RS - Av. Alberto Bins, 665.
Telefone: (51) 3284 2070
ENTRADA FRANCA
[Fonte: Assessoria FestiPoa Literária]
Sunday, February 24, 2013
Bem-vinda, Emily Giffin
Em função
da grande parte dos meus livros estarem encaixotados, ainda durante o mês de
janeiro, fui à livraria e apostei em uma escritura que, conforme me disseram,
estava fazendo sucesso. Eram três livros da mesma autora. Mas, preferi investir
em um, apenas, para depois, se fosse o caso, adquirir aos demais. Entrei em férias
e apostei em Emily Giffin. E, não havia nem terminado a leitura quando resolvi
comprar os títulos disponíveis na Feira do Livro de Atlântida Sul. Fiquei
extremamente surpresa com a forma de elaborar suas histórias e, ainda, com a
forma em que expõem as tramas de seus personagens fictícios. Embora eu ache que
Giffin tem certa obsessão por mães solteiras, independente disso, seu discurso
nos faz repensar alguns valores, questões do dia a dia e acreditar que tudo é
possível para aquele que crê e, além disso, se esforça.
Os livros
Laços Inseparáveis, Presentes da Vida e Questões do Coração, estão longe de ser
romance água com açúcar em tons de autoajuda. Já li os três e, em breve, farei
a leitura de minha última aquisição de Giffin: Ame o que é Seu. Esse, comprei hoje
e, após terminar minha atual leitura, será devorado.
Em Laços Inseparáveis, a história da
produtora de TV Marian, intercala-se com a de sua filha dada para adoção,
Kirby. Com um capitulo destinado à exposição do universo de cada uma, com
ligações entre si, traz a cena o encontro de mãe e filha, após 18 anos. Kirby,
mesmo vivendo em uma família que a faz feliz, ao completar a maioridade, foi em
busca de sua mãe biológica. Ambas, no decorrer da trama, travaram uma busca com
o passado não só de Kirby, mas das omissões de Marian, resultando em uma
conclusão que modificou completamente seu futuro.
Confira
alguns trechos da obra:
“Meu
coração começou a acelerar. Será que ele contou para ela? Com certeza, ele não
faria isso comigo. Mas o que ela queria dizer com essa frase, e me olhando
desse jeito? Resolvi não culpá-lo, esperando que ela continuasse com sua
lenga-lenga, imaginando que poderia aproveitar das suas histórias para colocar
num roteiro. Eu já tinha feito isso antes.” (Marian)
“Ainda
tenho cerca de oitenta quilômetros para percorrer na estrada I-55 e faltam
cerca de noventa minutos na minha viagem de cinco horas. Até agora foi moleza. Só
parei uma vez para colocar gasolina no tanque e usar o banheiro. Também me
lembro de ligar para meus pais, lhes assegurando que estou muito bem, que o dia
está ensolarado e claro, e com pouco tráfego. Meu pai lembra de ficar na pista
da direita, não fazer ultrapassagens, evitar caminhos grandes e ficar longe do
celular.” (Kirby)
Já em Presentes da Vida, a Relações Públicas
Darcy, e toda sua antipatia, deixa para trás seu noivado com Dex para viver um
intenso caso de amor com Marcus, melhor amigo de seu ex-noivo. O resultado foi
uma gravidez solitária, já que Marcus não tinha o perfil de homem que abraçaria
essa “bronca”. Sem rumo e, descobrindo que Dex tinha um caso com sua melhor
amiga, Rachel, e com que mantiveram um relacionamento após o termino do noivado
com Darcy, a protagonista muda o rumo de sua vida, deixando Nova York por
Londres. Acomodada na casa de um amigo de escola, Ethan, a quem havia desdenhado
na infância e que tinha uma sólida amizade com Rachel. Sem emprego e, tendo
gasto todas as suas economias em roupas de marca, estava chegando a hora de
levar a sério a gravidez. Com o auxílio de Ethan, ela elabora sua lista de
mudanças e, no meio do caminho, descobre o amor que sente pelo amigo. Então,
aquele filho “sem pai” que Darcy carrega em seu ventre, tem a chance de ganhar
uma família.
Confira
alguns trechos da obra:
“Eu sorri. Poderia
não ter sido o melhor Dia de Ação de Graças do Ethan, mas eu estava certa de
que aquele dia tinha me feito ganhar algumas semanas a mais em Londres. Ele ainda
não me mandaria embora para casa.”
“Ajustei a
minha cama para uma posição mais alta e depois ergui os meus braços, indicando
que eu queria um abraço. Ethan se aproximou, o seu rosto ficou encostado no meu
enquanto ele me envolvia com seus braços. Nesse abraço, simples, mas
significativo, uma verdade foi confirmada no meu coração: eu estava apaixonada
por Ethan.”
Por fim, em
Questões do Coração, Valerie, mãe
solteira de Charlie de seis anos, precisa encarar o fato de seu filho ter
sofrido um acidente, em uma festa com amigos da escola, levando seu corpo a padecer
queimaduras que precisaram ser tratadas com enxerto de pele. Com o auxílio do
pediatra Nick, ela descobre a salvação para a doença de seu rebento e um
paliativo para sua solidão. Por outro lado, vemos Tessa, esposa de Nick que
percebe a mudança de hábitos do marido dentro de casa e, seu comportamento com
ela. Ao descobrir a traição do marido, primeiro pelas amigas e depois
confirmada pelo próprio Nick, ela precisa rever suas atitudes, inclusive o fato
de ter deixado o mercado de trabalho para ser uma eximia esposa e dona de casa.
Tanto pelo olhar discursivo de Valerie, quanto de Tessa, já que nessa obra os capítulos
também são intercalados, vemos o mesmo homem, envolvido com duas mulheres e,
mesmo sem voz ativa na escritura, desejar salvar seu casamento.
Confira
alguns trechos da obra:
“Mas na
manhã seguinte acordou se sentindo pior. Muito pior. Como se a decepção
precisasse de uma noite para se concretizar. Perceber que Nick não voltaria
mais, que não havia a possibilidade de um futuro, ou mesmo de outra noite
juntos a fazia sentir dor em todo o corpo, como se estivesse com uma gripe. Saiu
da cama, entrou no chuveiro e, então, passou por todos os passos de seu dia,
amargando um vazio profundo porque não admitia sentir falta de alguém que fez
parte de sua vida por tão pouco tempo. Era um vazio que ela sabia que jamais
preencheria, nem ao menos tentaria preencher, pois não valia o sofrimento. Ela se
perguntava quem havia sido o idiota que um dia disse que era melhor ter amado e
perdido que nunca ter amado. Nunca havia discordado tanto de algo.” (Valerie)
“E então
era véspera de Natal, e eu estava dirigindo à noite, nas ruas em sua maioria
vazias, observando flocos de neve dançando nas luzes de meu farol. Eu tinha
mais uma hora antes de poder ir para casa e já tinha esgotado todos os meus
afazeres. Já havia comprado os últimos presentes para as crianças, devolvido os
suéteres que havia comprado para Nick, parado na padaria para pegar as tortas
que havia encomendado minutos antes de Nick voltar de sua caminhada em Common,
incluindo a de creme de coco que ele ousou pedir para mim no dia anterior.”
(Tessa)
Thursday, February 14, 2013
Sobre preconceito e superação
Há mais de 10 dias em férias, estou firme e, quase
superando, minha meta de leitura. Após dois anos de mestrado, férias em tensão,
ler romances era artigo de luxo. Por isso, esbaldo-me agora. Já foram quatro
romances, sendo que esse post, pelo
título escolhido, trará de três obras por mim sorvidas.
Odeio preconceito, em todos os sentidos e, talvez por isso,
livros que nos façam pensar sobre essa bestialidade que é não aceitar quem não
tem as mesmas opções que nós, me tocam profundamente. Afinal, o que é
normalidade? A minha religião? A do outro? A minha opção sexual? A do outro? A de
todos, já que originamos da mesma força divina. E superar o preconceito
interno, o externo e viver de forma harmoniosa com o universo, é um desafio á
todos nós. Começo, então, pela obra que foi a primeira a tratar de preconceito
e superação.
Sem amor, Eu nada
seria
Há muito procurava novelas que tratassem sobre o prisma
espiritual a Segunda Guerra Mundial. Não sei se fiz uma busca falha, mas a
verdade é que somente agora encontrei uma escritura que me satisfez um pouco. Digo
um pouco porque eu nunca me contento com parcar informações. Um livro é sim, insuficiente
para mim. Mas mergulhar nessa leitura me fez ver muita coisa por meio de outro
ângulo. Assim, a obra “Sem amor eu nada seria”, psicografado por Américo Simões
e ditado pelo espírito de Clara, ambientou a sanguinária Segunda Guerra, ou
como conhecemos hoje o Holocausto, trazendo dados históricos e personagens que
viveram nos dois lados da Europa, dividida por Hitler. E, deparamo-nos, então,
com o amor de um alemão por uma judia. Viveck burlou a verdade nazista a qual
havia se filiado, arriscando sua encarnação para esconder Sarah, seu grande
amor, e o pai da judia.
Nesse período vivido por Sara em um convento, a história de
Helena, freira alemã que, tendo tido um caso amoroso com um padre, e que deu a
luz a um menino que ficou no convento sob os cuidados de Sara surge e, findada
a guerra, ao pai da judia e o alemão, seu amor. Mas, ao deixar o convento,
Helena deparou-se com o cenário fétido e estúpido proporcionado pelos nazistas.
Um choro de bebê chamou sua atenção e, por uma ironia do destino, em sua trajetória
de vida estava à responsabilidade de criar um menino judeu.
Findada a guerra, em agosto de 1945, as vidas desses
personagens unem-se novamente, a partir de suas realidades e seus preconceitos.
Judeu criado como cristão e cristão criado como judeu enfrentam-se. Uma obra
que discute amores separados pela religião e põem em cheque o catolicismo a
partir da atuação de seus seguidores.
Alguns trechos da obra:
“A fumaça do crematório podia ser vista de diversos pontos
da cidade, despertando a atenção de todos. Quando mechas de cabelo dos mortos
cremados saíam pela chaminé junto com a fumaça e iam parar nas ruas, o que foi
chamado por muitos de neve negra, o programa T4 começou a enfrentar seus
primeiros problemas.”
“Se você notar bem, todas as nossas indisposições com o
próximo se dão por choque entre as diferenças de cada um, por não aceitarmos
que o outro tem gosto e valores diferentes dos nossos. Quando se aceita, as
rusgas se vão, o convívio é pacífico.”
“Não cabe a você realizar os sonhos, planos e intenções de
uma outra pessoa, cabe a você, apenas, realizar os seus.”
“Ninguém pode exigir de si o que não tem condições, ainda,
de se dar. E ninguém pode dar a alguém aquilo que ainda não pode dar a si
próprio.”
“Só os mais sinceros consigo próprios e com a vida tem
coragem de olhar para trás, perceber e assumir para si mesmo que Deus continuou
sempre aos seu lado, mesmo quando parecia que não.”
“[...] Jesus tem de ser encarado por nós como um velho que
não tem mais condições físicas de fazer tudo por nós, mas nos inspira a fazer. Sob
sua luz não há quem não encontre a paz, coragem e disposição para superar
qualquer obstáculo na vida.”
E o amor resistiu ao
tempo
Em outra obra, escriturada pelo mesmo médium do livro acima
e ditado pelo mesmo espírito, deparei-me com uma história que contava três
encarnações de Pietro. Criança que nasceu com deformidade física, já que tinhas
os pés virados para dentro, o menino foi entregue a uma instituição de
caridade. Com a mão do destino, ele é encontrado pela tia, que o adota e o cria
como filho, sabendo que ele é o rebento expurgado da vida familiar por sua
irmã. Para superar sua diferença perante a sociedade, o dócil Pietro tornou-se
um homem amoroso e músico conhecido no mundo inteiro. Rico, devido ao seu
trabalho, o rapaz abrigou na sua casa, a família que um dia o deixou ao léu,
mostrando que o amor resiste ao tempo.
Na encarnação seguinte, o mesmo rapaz nasce na Alemanha,
mais especificamente no período ambientado no livro acima. Nazista convicto,
sua função era “caçar” almas para serem exterminadas no programa T4, que
ceifava a vida de crianças, jovens e adultos, com deformidades físicas. Até deparar-se
com Caroline. Sua convicção de que pessoas com problemas físicos não servem
para nada, sai de sua alma e, ele faz de tudo para salvar a vida da menina. O encanto
entre os dois, que se deu quando ela estava na fila para entrar na câmara de
gás, tem resposta na sua vida passada, quando Caroline foi a mãe que o
abandonou. Fugindo do país para salvar a rapariga, ele leva consigo Raul,
menino entregue por sua mãe para que fosse salvo do programa T4. A família desfeita
antes, pelas mãos de Raul e Caroline, traçava, agora, uma vida de sobrevivência
e superação juntos.
Na terceira e última parte, a seguinte reencarnação de Pietro
surge no final da narrativa. Aqui, os personagens principais dessa escritura
são Raul e Caroline que, precisam superar o preconceito interno para unidos
criar sua família e dar frutos possíveis de resgatar traumas passados. Uma obra
que faz jus ao título, mostrando que sim, o amor resiste ao tempo para aqueles
que desejam fazer sua reforma íntima e vencer seus desafios internos e
externos.
Alguns trechos da obra:
“[...] a vida é, na verdade, uma entidade que traça tudo
perfeitamente para que possamos viver aquilo que nos fará crescer como ser
humano, como algo mais nesse universo.”
“E o mais comovente naquele reencontro era saber que o amor,
apesar de tudo que aconteceu no passado, resistiria ao tempo... Um tempo que
atravessou vidas para transformar vidas em nome do amor.”
“É difícil mesmo descobrir que se valorizou algo além do seu
devido valor. Mas a vida ensina e um dia liberta todos dessa estreita visão de
vida para viverem finalmente a verdadeira grandeza da vida. [] Não que a
matéria seja ruim, ela é importante, mas para nos facilitar e embelezar a vida,
não para nos tornar escravos dela. O mesmo com relação ao dinheiro e à paixão.
“Quem não ama de verdade se desapega rapidinho. Quem permanece
junto é porque amor existe. Mesmo que vivam entre tapas e beijos, algum amor há
ali.”
“É o tempo presente que determina a nossa realidade e é só o
que existe sempre. Por mais que você pense num futuro, quando estiver lá, ele
(o futuro) continuará sendo o seu presente. [] Se o amanhã é o resultado do
modo como você se trata no ‘aqui e agora’, então vamos procurar fazer desse ‘aqui
e agora’ algo realmente proveitoso, valioso, garantindo assim um amanhã sempre
melhor.”
As obras da Clara são há muito minhas preferidas leituras. Embora
suas capas, esteticamente não sejam convidativas e, às vezes perceba que
deveria ter havido uma maior revisão ortográfica, as histórias trazidas por
esse espírito me tocam fundo.
Já a terceira obra que findei a leitura hoje, sim as demais
foram antes, com certeza, veio através do romance de um médium que para mim tem
virado referência de trabalho teórico e prática mediúnicos no século XXI.
O próximo minuto
Na escritura romanceada de 470 páginas, ditada pelo espírito
Ângelo Inácio e psicografado por Robson Pinheiro, entramos no minuto de
personagens que, mesmo vivendo em cidades diferentes, no mesmo minuto sofreram acidentes
que os levaram em desdobramento, ou desencarne, ao mesmo ambiente espiritual. Vemos
aqui, a prova de que homossexualidade é a coisa mais natural do mundo (aliás
pra mim sempre foi), e que o preconceito sobre pessoas que amam seres do mesmo
sexo é uma bestialidade.
Deparei-me aqui com a história de viventes que não assumiam
sua opção afetiva por ter dentro de si arraigados conceitos produzidos pela
sociedade e pela religião. Humanos que maltratavam gays e lésbicas por mascararem, através do machismo desmedido, sua
real opção de vida. E ainda quem expulsou o próprio filho de casa, por esse ter
negado Jesus por ser homossexual. Cada um em um ambiente comum em outra
dimensão, já que tinham o preconceito enraizado em suas almas. Depararam-se,
assim, com suas criações mentais e a necessidade de superação de suas agruras
interiores com o auxílio da luz divina e de amigos e parentes espirituais. Alguns
galgaram degraus, outros, precisaram retomar a caminhada de uma maneira mais
dura para poder aceitar sua condição e respeitar o próximo. Se eu contar mais,
entrego o enredo encantador do livro.
Alguns trechos da obra:
“A mente prisioneira da culpa, do remorso ou das angústias
de uma existência mal definida ou mal resolvida exterioriza a paisagem íntima
em torno de si. Da mesma forma, a mente sadia, que se esforça por cultivar
emoções enobrecedoras e elevadas, projeta ao redor as imagens condizentes com a
qualidade da vida mental superior.”
“[...] desejo e libido fazem parte da vida dos espíritos,
tanto de desencarnados quanto dos homens. Ao desencarnar, a maioria esmagadora
dos espíritos estagia numa dimensão tão próxima à realidade física que tudo ali
reflete o mundo material porém melhorado e mais intenso em tudo. Ou o contrário
se preferir: o mundo material reflete a dimensão astral, mas de maneira menos
vívida e elaborada. A civilização e seus atributos – construções, desafios,
descobertas, avanços, saber, ciência e modo de vida – constituem tão somente
mero reflexo do que se vê do lado de cá da vida. Assim também as tendências, os
desejos, e os impulsos humanos; todos estão latentes no espírito imortal. Entretanto,
a forma como se manifestam e são satisfeitos é que muda de acordo com a
dimensão em que se encontra o espírito após o desencarne. Em matéria de sexo,
nada é diferente.”
“A recusa em vivenciar a vida sexual e afetiva, seja de que
forma for que se manifeste, equivale a colocar barreiras à evolução e é uma
prova viva de egoísmo. Agora, se considerarmos a existência de outros
departamentos da vida universal, outros mundos e dimensões superiores, que
somente nos séculos vindouros conheceremos a fundo e serão nosso habitat, aí
poderemos entender que, nesses locais, o sexo deve se manifestar de maneira
singular. Entretanto, isso só se dará após o espírito esgotar todas as
possibilidades da vida no sentido mais humano possível, viver todas as
experiências humanas de modo pacífico. Assim, quem sabe um dia experimentaremos
sensações e emoções análogas, porém em ritmo e forma diferentes do que estamos
habituados.”
“Sob esta ótica, podemos entender que toda prática, seja de
ordem sexual ou não, quando levada ao excesso e transformada em compulsão ou
vício, certamente prejudicará quem a adota.”
“Talvez aquilo que você chama de morte não seja exatamente o
fim, mas uma oportunidade de recomeço, de reescrever a própria história de
maneira mais elaborada.”
“Todos nós estamos no caminho, tentando acertar mais e errar
um pouco menos. Mas desconheço, em qualquer lado da vida, quem não tenha errado
de muitas maneiras. Portanto, seja bem-vindo ao time, à humanidade.”
Monday, January 28, 2013
...
Impossível,
nesse começo de semana, desejar bom dia, como faço diariamente. Frente ao
amanhecer ensolarado de domingo, de brisa suave e de vida pulsante nas ruas, recebemos
aqui na região sul notícias da fumaça mortífera que ceifou a vida de, até o
momento, 248 jovens. Indivíduos no começo de sua caminhada profissional,
humana, afetiva. Eles queriam apenas divertir-se, mas foram chamados de forma
estúpida a vida espiritual.
Como
espírita e credora na vida após a morte e, ainda, na reencarnação, compreendo
que aos olhos de suas programações terrenas estava o termino de suas formas
humanas, em matéria, programado para este fim, exatamente como foi. Porém, por
mais compreensão que eu tenha do espiritismo, não vejo conforto na situação e,
creio que dizer lamentável, horrível, inacreditável, são qualificações não cabíveis
ao incêndio na casa noturna Kiss, de Santa Maria.
Assisti
a notícia não apenas da morte de gaúchos como eu, mas de seres humanos e isso
me dói como nativa do Rio Grande do Sul, me dói como ser humano passível da não
compreensão frente ao fato. Eram pessoas, eram jovens que saíram para
complementar felicidade e depararam-se com o fim de um ciclo. E esse fim de
ciclo atinge a todos nós. Creio que todos os gaúchos morreram um pouco com a
tragédia. Eu ao menos morri.
Santa
Maria, a cidade onde tenho amigos e parentes, amanheceu fúnebre com toda a
razão e, mesmo que pessoas próximas a mim não tenha sido diretamente atingidas
pelo ocorrido, digo que lastimar é pouco frente à realidade obscura, em que um
lindo dia de sol foi condensado pela fumaça da morte.
Não
me cabe fazer especulações da incompetência dos profissionais do local. Mas me compete
desejar paz aos que se foram e fé aos que ficaram. Sinceramente não consigo
imaginar a existência de uma mãe que está vivendo essa situação surreal e terá
que encarar essa realidade até o fim dos seus dias. A ordem da vida alterou-se
para essas famílias e para todos nós.
Perdoem-me
o egoísmo, o bairrismo ou como quiserem chamar, mas me sinto no direito de
sentir essa dor e orar para que as equipes espirituais atendam os
desencarnados, os encarnados diretamente ligados aos que partiram à pátria
espiritual e a nós que temos essa mancha mortuária para absorver e seguir
adiante. E, todos aqueles que de piada fizerem essa situação, minha mais
sincera ignorância de sua existência.
Que
a paz do senhor esteja conosco!
Tuesday, January 22, 2013
Ler, Viver e Amar
Eu não dava nada por
esse livro, mas me surpreendi e ele me deu muito.
Reza
a lenda, proferida pelos amantes da literatura e, consequentemente dos livros,
que não se deve julgar uma obra pela capa. Eu julguei, mas como a minha cabeça
andava pelas tabelas (parafraseando Chico Buarque), li a sinopse e comprei a
escritura achando que seria uma leitura divertida mas que exigisse menos de
mim. Ledo engano...
Ler,
Viver e Amar, obra de Jennifer Kaufman e Karen Mack, editada pela Casa da
Palavra, cumpriu seu papel: fez eu me identificar com a personagem, seu enredo,
com as passagens e muito mais! Minha surpresa teve início quando me deparei com
frases ótimas no começo de cada capítulo, sendo o primeiro uma citação de Jorge
Luis Borges. Passei para a narrativa e, incrivelmente, não queria desgrudar! Dora,
a balzaquiana e personagem central do volume, estava recuperando-se da
separação, mesmo após um ano. Era compulsiva por livrarias e, logicamente,
adquirir várias brochuras e, ainda, tomar porre de livros. Sim, porre
literário. Em minha opinião e, confirmado por Dora, os melhores.
Ardentemente
Dora desejava uma nova vida a partir de uma recolocação no mercado de trabalho,
ela era jornalista; um novo amor, mas isso não era prioridade; vencer os
traumas de infância e, criar seu próprio mundo. Além, é claro, de sua dedicação
nas sempre horas vagas, o que no caso de Dora eram praticamente todos os dias, à
porres literários. Submersa em sua banheira de espumas, acompanhada de um copo
de vinho, a personagem fazia pilhas e pilhas de livro no seu refúgio, o
banheiro, e ia sorvendo o líquido alcoolico e tinto, juntamente com as
escrituras selecionadas para a ocasião. Atire a primeira pedra quem nunca
buscou respostas nas páginas da ficção.
Identificações
do meu “EU” a parte, volto a história de Dora, que se apaixonou por Fred, que
trabalhava na livraria que ela ia diariamente e, era formado em Literatura. O romance
que tinha ares de similaridade entre almas e corpos, desenrolou-se como um
verdadeiro desastre, quando Dora assumiu porque quis, a oferta de amor à mãe e
a sobrinha do namorado. Foi quando, da morte da irmã de Fred, drogada, ela
deparou-se com o egoísmo masculino, aliás, muito visto nos dias de hoje.
Encontros
frutíferos com o ex-marido, o surgimento de um freelancer para o Times
aqui, outro ali. Dora começou a reescrever sua vida e, o livro no qual ela é a
figura principal, trouxe um legado literário, a partir das contribuições dadas
pelas autoras, ao inserir citações de grandes homens da literatura, dos
comentários de Dora e, ainda, da lista de livros e autores usados para
confecção da escritura, ao final das páginas fictícias. Identificações minhas à
parte, confira alguns trechos da obra, dentre eles, o perfil do leitor,
projetado por Dora e o ex-marido, Palmer.
“Não
importa o que aconteça a você, Dora, você pode sempre escolher um livro.”
“No
topo da lista estão os puristas – pessoas que leem com a finalidade de absorver
o estilo literário elegantemente construído e saborear as brilhantes metáforas,
os personagens inventivos, as figuras de linguagem empolgantes e os diálogos
faiscantes. A história é um elemento alheio à questão.
...
os acadêmicos – leitores que jamais superam realmente a forma como liam um
livro nas aulas de inglês do primeiro semestre, sublinhando ou destacando,
dobrando a orelha de determinadas páginas, procurando no dicionário as palavras
com as quais não estão familiarizados e rabiscando comentários consistentes nas
margens.
Os
adoradores de livros vêm em seguida. Eles mantêm seus livros cobertos (e não
por que são romances), usam marcadores de páginas e absolutamente nunca deixam
o livro tocar o chão. Eles olham para o livro como se fosse um ser com
sentimentos, um objeto de desejo vivo, que respira, que precisa ser tratado com
absoluto respeito. Eles leem cada palavra, até mesmo as notas de rodapé de
página.
Em
seguida vêm os leitores que só querem uma boa história tradicional e tem
certeza absoluta disso. Eles pulam os longos trechos descritivos, passam os
olhos pelas digressões e concentram a atenção em quem, o que e onde até o
último grau. Uma subcategoria destes inclui as pessoas que lêem livros em busca
de sexo, violência ou qualquer outra propensão particular e fazem uma leitura
rápida dos trechos que não os interessam.
O
nível mais baixo da cadeia alimentar vem em seguida e inclui os leitores em
busca de prestígio, um grupo de imitadores ridículos que não querem realmente
ler o livro, mas sim ser visto com ele, como a notória jovem loura pendurada no
braço de um magnata. Eles passam os olhos pelo livro para saber o enredo e o
carregam por toda a parte como se fosse uma bolsa de grife. Ainda piores são as
pessoas que ouvem audiolivros, a nova versão dos livros condensados, ou leem romances
baseados em filmes em cartaz. Essas pessoas se consideram leitoras, mas não
são. O mais irritante é quando elas entram em uma conversa e agem como se
tivessem realmente lido. Eu incluo os leitores narcolépticos nessa categoria de
não leitores. Pessoas que usam os livros como sonífero e estão com o mesmo exemplar
pousado sobre a cabeceira da cama há seis meses. Também há os leitores de
banheiro – você sabe, aqueles com prateleiras de revistas perto da privada com
exemplares velhos.
Depois
vêm os leitores que gostam de andar nas livrarias dos cafés acalentando
capuccinos mornos, monopolizando a mesa durante horas enquanto ocasionalmente leem
livros sem comprá-los, deixando-os em pilhas sobre a mesa para que os
vendedores os recoloquem no lugar.
E
não esqueçamos aqueles que nunca terminam um livro – pessoas que gostam de
escolher livros, comprar livros, começar livros, mas o que eles não parecem
conseguir fazer é terminar os livros. Eles constantemente enganam a si mesmos,
pensando que esse é o livro que vão ler até o fim, e eu até acredito que eles
estão bem-intencionados, mas assim como as dietas e as resoluções de ano novo,
a vontade de perseverar normalmente desaparece. Devo confessar que às vezes
acabo caindo nessa categoria.
A
categoria mais frustrante de todas inclui pessoas que leem um livro e simplesmente
não entendem. [...] Mas uma vez que eles lhe contam sua análise, não há
realmente nada que você possa fazer a não ser mudar de assunto.”
“Um
bom amante precisa saber conversar, seduzir, filosofar, ser poético, fofocar,
confessar e elogiar. E ter o outro lado, o lado negro, o discurso obsceno,
impróprio, que febrilmente descreve em sussurros e murmúrios cada movimento
sensacional.”
“A
coisa certa – há tantas escolhas diferentes no que se refere a essa questão. Sei
que há momentos em que você está disposto a deixar tudo de lado por alguém que
você ama e há momentos em que você não está. Os momentos em que você não está,
muitas vezes, põem tudo em dúvida e definem o tipo de pessoa que você é. Meu ponto
de vista é: você poderá conviver consigo mesmo quando faz tais escolhas? Fred parece
estar perfeitamente bem.”
“Ele
é um cara que abandona. O que não é nada bom no meu mundo.”
“Eu
quero um emprego. Eu quero uma família que seja calorosa e que me ame. Eu quero
ser normal e ter meu próprio lugar. Não me interessa se isso está soando
burguês. É isso que eu quero. Pronto.”
Monday, January 21, 2013
Sangue e Poder
Readaptando-me
à vida social, o que para mim significa ir à cinema, teatro, ler romances e
visitar livrarias sem culpa, fui conduzida na noite de sábado pelo meu namorado
ao cinema. Django era a proposta.
A
película da Tarantino, com duração de quase 3h, deixou-me inquieta na cadeira
e, confesso, não consegui pousar os olhos sobre a telona em algumas ocasiões.
O
discurso é desenvolvido na região sul dos Estados Unidos, dois anos antes da
Guerra Civil. Com clima de faroeste, o filme trás a história do negro Django,
encontrado e resgatado durante uma comercialização de escravos, pelo alemão Schultz.
E, o que seria apenas uma “parceria” momentânea, onde Django ajudaria o alemão
a encontrar certos senhores de engenho para eliminar e receber a recompensa
estendeu-se por um rigoroso inverno.
Concluída
a estratégia inicial de o negro apontar para o alemão aqueles que este último
desejava assassinar, a história de Django, separado da esposa pela venda de
ambos à fazendas diferentes, fez com que os dois homens disparassem tiros pela
região, recebendo recompensas e guardando dinheiro para comprar Broomhilda, que
estava na fazenda Candyland, uma das mais famosas da localidade. Essa ação,
iniciada com estratégias mentirosas por parte de Django e Schultz, resulta em
uma matança absurda, onde o poder humano compete com o econômico.
Esse
choque de poder é visto em toda película. Desde quando homens brancos olham
surpresos para Django bem vestindo, em cima de um cavalo e sendo acompanhado
por um homem branco. Neste período em que a história é ambientada, o poder é
representando, em toda sua forma, pelo preconceito de raça que, teve ecos
terríveis não apenas nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil também. Um legado
estereotipado que vemos até os dias de hoje, quando já há o fim da escravidão física.
O
longa-metragem de cenas fortes, por meio da matança de armas, também mostra a
crueldade dos homens ditos brancos, que não compreendem que os negros são tão
humanos quanto eles e fazem da vida desses últimos, verdadeiros infernos. Vemos
nas cenas desde a chibata, até cães comendo um dos escravos que se negava, por
falta de condições físicas, a lutar como animal com outro de sua condição
escravista.
Mais
um filme para pensar e repensar o preconceito e ver, ainda, se hoje não somos
escravos de velhos mitos do passado.
Friday, January 18, 2013
Monumento
Monumento da Belarusian, escrito em Borisov, na Bielorrússia Památník běloruštiny, Borisov, Bělorusko.
Fonte: Apaixonada por Livros
Monday, January 14, 2013
Linhas em branco
Já
estamos no 14º dia de 2013. Há mais de um mês sem escrever no blog,
justifico-me explicando que a mudança, para mim, aconteceu ainda em dezembro de
2012. Sim, mudar de casa é uma baita mudança na vida. Faz-nos remexer em um
passado esquecido no fundo dos armários, nos oportuniza rever fotos e escritos
que já não faziam parte do nosso consciente. Encaixotar a vida em espaços de
papelão coloca nosso imaginário em prática, não há dúvida.
Além
dessa mudança que me deixou sem internet e sem muito tempo ocioso, havia a
finalização de minha dissertação de mestrado e os eventos de final de ano que
me cabem organizar, devido a minha profissão. Confesso: seis dias após a
mudança de apartamento, fechamos tudo e rumamos ao litoral.
Passado
os festejos de final de ano, 2013 teve seu primeiro dia, nas praias da região Norte
do Rio Grande do Sul, chuvoso e nublado. Tive a nítida sensação que, mesmo que houvesse
crenças de que ainda em 2012 o mundo terminaria, forças divinas estavam nos
ofertando um tempo para reflexão. Assim, ainda restam de linhas em branco, 351
dias.
Eles
são a nossa oportunidade de reescrever aquilo que deixamos mal historiado em 2012.
De olharmos para o mundo de forma diferente, de fazermos com que o “fim do
mundo” não seja a destruição de um planeta. 2013 aponta a chance de mudarmos
nossos conceitos, vibrarmos dentro e fora de nós, uma energia mais amena, com
mais vontade de um mundo melhor em sintonia com a energia cósmica criadora. É a
chance de começarmos a arquitetar a Nova Era, iniciando pela nossa profundeza. Por
nosso desejo de sermos melhores.
Nunca
foi tão importante a máxima já conhecida de Gandhi: “você deve ser a mudança
que deseja ver no mundo.” Iniciemos, nesse 2013!
Tuesday, December 04, 2012
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