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Professora, Jornalista, Relações Públicas e Mestre em Comunicação Social. Apaixonada pela comunicação e pelo imaginário humano e cultural.

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Sunday, June 26, 2011

Noites com Reis

De gargalhadas foram às madrugadas que passei lendo meu colega e, arrisco em dizer amigo, Sérgio Reis. Em maio ele presenteou minha mãe com seu livro autografado, Making Off. Demorei em pegar o livro e ler. Mas não por falta de vontade, apenas falta de tempo.

De narrativa leve, o livro Making Off, do jornalista Sérgio Reis, foi lançado em 1995 e traz as histórias dos primeiros anos do rádio e da televisão no Rio Grande do Sul de forma bem humorada. Além de boas gargalhadas é um mergulho no passado desses dois veículos de comunicação que fizeram marco na sociedade, e ainda o são. Traz as histórias dos primeiros “ao vivo” nesses veículos, mesclando com a história das pessoas que fizeram acontecer.

O livro não deveria ser lido apenas por profissionais da área, mas recomendado nas cadeiras universitárias, nos cursos de jornalismo, pois muito do passado está ali. Muito das pessoas que fizeram esse passado está ali. Lendo essas páginas, vamos além da diversão, vemos o valor de cada ser humano na construção da comunicação. Vale muito a pena conferir!

Abaixo, reproduzo uma das histórias que quase morri de tanto rir quando li. Prometo que posto outras no decorrer do tempo. Por enquanto, confiram essa!


“O quebra-quebra de 24 de agosto de 1954, pelo suicídio de Getúlio Vargas, destruiu muitas coisas em Porto Alegre. Entre elas, num incêndio, o prédio que abrigava as Rádios Farroupilha e Difusora, na Rua Duque de Caxias, pois Assis Chateaubriand era tido como inimigo do presidente. O auditório da Farroupilha, na Rua Siqueira Campos, em frente à Trav. Leonardo Truda, foi depredado, mas o prédio ficou em pé. A solução, então, foi transferir as rádios para o prédio do auditório, um casarão de dois andares. Como as instalações eram pequenas para abrigar as duas emissoras, foi alugado o segundo andar de um prédio na Rua Sete de Setembro, que fazia fundos com o auditório. Derrubadas as paredes, unidas as duas casas, havia espaço suficiente.

Como as salas internas não coincidiam com as necessidades, derrubaram-se todas as paredes e fizeram-se divisórias com 2 metros de altura. Era horrível de se trabalhar, pois havia eco, se ouvia tudo o que se falava, com mil ruídos se misturando. A direção dizia que seria provisório, mas durou mais de 20 anos!

Pois nesse prédio, de corredores compridos com baias de cada lado, uma tarde morreu um funcionário da discoteca. Enfarte fulminante. O corpo ficou muito tempo na sala, até ser retirado. E, chegou Vieira, o porteiro da noite. Quase 60 anos, magro, careca, nariz adunco e um ar elétrico.

Celestino Valenzuela, apesar de ser o locutor que abria a rádio, às 06h estava lá esperando por ele. E contou, com luxúrias, de detalhes, a morte do colega. Vieira ouvia tudo, olhos arregalados, uma parte dele querendo encerrar aquela conversa e a outra querendo saber mais e mais. E Celestino concluiu:

- E o pior é que, quando alguém morre assim, de repente, não se convence. Pensa que ainda está vivo e fica no lugar, tentando se comunicar com as pessoas. Vão levar uns dois ou três dias até que ele saia daqui. Até a 1h, enquanto o rádio estiver no ar, com gente aqui dentro, ele deverá ficar calmo. Poderá haver problema quando todos forem embora.

- Que, que tipo de problema?, perguntou Vieira gaguejando.

- Sei lá. Cada morto reage de um jeito. Bom, boa noite. Te encontro amanhã às cinco e meia.

E se foi, segurando o riso.

Quando voltou, 5h30min de uma madrugada de chuva fininha, a uma quadra da rádio Celestino já via e ouvia Vieira, no meio da rua vazia, facão na mão, gritando para dentro do prédio:

- Sai, filho da puta. Tu já morreu, desgraçado. Teu enterro é hoje, infeliz! Vai pro teu velório. Se tu não te convenceres, eu te mato de novo, seu merda.

- O que é isso Vieira? O que está acontecendo?

- O defunto tá lá. Não saiu, bem como tu disse. Fez barulho a noite toda.

- Deixa comigo. Sei uma oração que vai fazer com que ele deixe este nosso mundo. Fica aqui e só sobe quando eu disser que está tudo OK.

E subiu as escadas, correndo para soltar pela janela do auditório a galinha viva que comprara no Mercado Público ao entardecer e que deixara em uma sala com as patas e bico amarrados. A pobre ave passou a noite se debatendo com as asas. Vieira nunca soube da molecagem e sempre julgou Celestino um forte rezador, bom para mandar defunto direto para o reino dos mortos.”

Pag. 36 a 38.



Essas e muitas outras histórias. Sobre pessoas para pessoas. Afinal, a comunicação nada seria sem esses ingredientes. 


Jornalista Sérgio Reis

Wednesday, June 22, 2011

Pedido de ajuda

Esse blog também tem o intuito de ajudar, por isso o teor destes post. Penso que de nada vale uma ferramenta de comunicação se ela não tiver voz para auxilio do próximo, seja ele animal, vegetal ou humano. Quem puder, divulgue, pense, ajude!

Olívia tem sete irmãos. É a última nenê da enchente de São Leopoldo que está para adoção Os demais já encontraram um lar e estão felizes com suas novas famílias.

Olívia sobrou, mas continua esperando um lar onde possa receber muito amor e onde tenha bastante espaço, pois ela será de porte grande. Aos três meses e meio já está do tamanho de um Cocker! Tem um temperamento excelente! É calma, gosta de brincar, mas sem tendências destrutivas. Muito obediente e muito inteligente, aprendeu o lugar certo de fazer as necessidades em menos de 24h.

Não será brava, mas bastante afetiva. Ideal para quem tem criança. Tem adoração por estar perto das pessoas e ganhar carinho.
Já tem a primeira dose da vacina, está desverminada e sem pulgas.
De preferência, a pessoa responsável gostaria de doar a Olívia para quem já tenha outro cão, para que ela possa ter companhia. Não será doada apenas para guarda nem para ser mantida em corrente.

Interessados, entrar em contato com:

Katya Leitzke
kleitzke@uol.com.br
(51) 3343-3198 / 9985-3753





Tuesday, June 21, 2011

Monday, June 20, 2011

Pari de novo


Em 2006, quando retornei às cadeiras universitárias para cursar Jornalismo, criei esse blog. Os textos daqui mostram a evolução de uma caminhada humana e espiritual. Talvez não com todos os resultados alcançados, mas um caminhada feita de aprendizado, alegrias, tristezas, perdas e ganhos.

Nasce, para unir-se a esse, o PIMENTA DO REINO, onde quero tratar apenas de comunicação, a mola que move a mim e ao mundo.

Compartilho com vocês essa nova etapa. Agradeço a todos que me seguem aqui, convido para darem uma provadinha nesse novo bebê que crescerá com a ajuda de todos!



Pimentta do Reino: Parto apimentado: "Discutir a comunicação. Esse é o objetivo desse novo BLOG: Pimenta do Reino. Mais um filho concebido com raciocínio, com calma e com desejo ..."

Revendo Capote

Nesse final de semana minhas produções acadêmicas deram uma acalmada. Ou, me organizei de tal forma que consegui ver um filme. Aliás, ver não, rever. Assisti novamente a película Capote, filme de história verídica, baseado no livro A Sangue Frio, de Truman Capote. Por minha identificação com a Semilogia, que auxilia a compreendermos produções linguísticas por meio da leitura dos Signos. Baseada na teoria do semiólogo francês Roland Barthes, lancei uma nova visão frente à produção artística, tendo em vista que Barthes nos explica que a comunicação só é capaz de ser entendida por meio dos Signos expressos na linguagem e que esta está presente e torna possível todas as formas de comunicação. De longe penso, ao expressar a seguir meu novo olhar à película, fazer um comentário único e incontestável. Apenas será mais um olhar.

Que é de uma estética incontestável o filme, não tenho dúvidas, mas percebi algo que até então eu recriminava na figura de Truman Capote: seu envolvimento com Dick, um dos assassinos da família do Kansas. Mesmo que Capote tenha desconstruído o estereótipo do assassino, lhe conferindo um grau de humanidade, é perceptível ao menos para mim, nessa segunda releitura, ver o grau de importância que o jornalista deu ao assassino para conseguir a narração da noite dos mortes. Com seu discurso encrático, ou seja, embutido no poder que sua condição de jornalista e escritor renomado lhe conferia, ele criou o mito de bom amigo do assassino, para a coleta de informações. Mesmo que no começo ele tenha ajudado a dupla de assassinos a conseguir um novo advogado, Capote ao aproximar-se de Dick tinha um único objetivo: colher dados. Bem da verdade que de alguma forma ele identificou-se com seu “personagem”, estabeleceu uma ligação. Mas até onde vai esse laço? O fato é: quando era a hora de Capote ajudar o amigo, ele só pensava no final da exaustiva obra que estava escrevendo, a partir do assassinato, e que precisava ter um fim: a execução dos assassinos.




Na pequena cidade do Kansas, Capote foi também estereotipado pelos habitantes e pela força policial da região, por suas roupas refinadas, seu andar delicado e sua voz infantil. Contou com o auxilio de sua amiga para poder chegar perto das fontes, dentre elas a menina que encontrou os corpos da família. Mas Capote quebrou o mito, mostrou ao que veio e fez do assassinato em série um dos mais destacados livros-reportagem. Lançou gênero, o literário, e virou filme. Seus cinco anos de pesquisa renderam não só a fama a ele, mas a oportunidade de profissionais e estudantes de comunicação se depararem com um novo gênero de jornalismo que também ganhou as telas do cinema.




Tanto o livro, quanto o filme, devem ser vistos, revistos, relidos. Vão além do fazer comunicação, nos levam a um contato de vida, nos faz repensar até onde o ser humano pode ir para atingir seus objetivos. As obras apresentam os dois lados: até onde os assassinos foram por dinheiro, até onde Capote foi pela informação.

Assista o trailer do filme!


Capote Trailer

Friday, June 17, 2011

Nova Retórica e Rádio Informativo

Resultado do pós-doutorado do professor Luciano Klöckner, meu mestre do rádio durante a graduação e até os dias de hoje, na Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, lançou a obra: Nova Retórica e Rádio Informativo - estudo das programações das emissoras TSF - Portugal e CBN- Brasil. O material é fruto de levantamentos realizados em Lisboa e São Paulo.

A partir do desenvolvimento de uma forma estruturada de Análise Retórica das notícias e programas radiofônicos, com base na retórica aristotélica, são examinados o contexto do discurso, os gêneros persuasivos presentes neste discurso e a estrutura do discurso retórico e argumentativo, ou seja a credibilidade de quem afirma, a emoção, a lógica e relevância dos argumentos; a organização discursiva; o estilo; a memória; e a apresentação.

A obra, editada pela Evangraf, apresenta seis capítulos de estudo. Começando pela apresentação do discurso do método utilizado para a pesquisa, o segundo capítulo traz um breve histórico da retórica. Na sequência são explicadas as categorias de oralidade, rádio e notícia. Já o quarto capítulo apresenta a proposta hierárquica da retoricidade e os níveis de argumentação nas mensagens radiofônicas do rádio informativo. A seguir, o estudo do rádio em Portugal e no Brasil, onde são apresentadas as análises de retórica argumentativa das rádios TSF de Portugal e CBN do Brasil.

O trabalho de pós-doutorado de Klöckner foi desenvolvido na Universidade de Coimbra, em Portugal, sob a orientação do professor Dr. Tito Cardoso e Cunha e da prof. Drª. Maria João Rosa Cruz Silveira.

A leitura vale para profissionais da área, estudantes e quem tiver interesse nesse mundo apaixonante do rádio.

Wednesday, June 08, 2011

A Day Made of Glass... Made possible by Corning


Quero compartilhar com vocês esse vídeo que apresenta a realidade de um mundo com ubiquidade das conexões sem fio e da conexão em si e, com isso, a mudança dos papéis sociais na sociedade contemporânea. Vale a pena assistir!